Após ser vaiado por críticas a Lula, Ciro Gomes tentou se redimir diante dos presentes com uma faixa do "Lula Livre"
Após ser vaiado por críticas a Lula, Ciro Gomes tentou se redimir diante dos presentes com uma faixa do "Lula Livre"Foto: Divulgação

Estive presente na décima primeira Bienal da UNE em Salvador e assisti a mesa“Os desafios da conjuntura para o desenvolvimento nacional”. Entre os vários debates que ocorriam no evento este era o que mais trazia expectativa por conta da presença do ex-candidato à Presidência da República, Ciro Gomes. Alguns gritos de repúdio não amedrontavam o pedetista, pelo contrário, seu discurso sobre as expectativas do novo governo e o futuro do País atraiam a atenção da plateia.

Ciro Gomes tem razão quando pede para os movimentos progressistas pensarem em reivindicações mais atuais e não ficarem presos às pautas antigas. Ele sugere uma união das forças da dita esquerda em prol de causas em comum.

O pedetista tem razão quando nem todos os eleitores do novo presidente são fascistas. Em seu discurso, ele até minimiza o termo, preferindo aguardar as medidas econômicas de Jair Bolsonaro. “Precisamos ter essa sensibilidade e respeitar a maioria que o elegeu” – argumento dito em entrevista ao El País, mas que não difere muito de suas palavras no evento da UNE.

O ex-governador do Ceará está certo quando jovens não devem defender corruptos, o aparelhamento do Estado e formação de quadrilha. Para ele, temas como educação, saúde, desemprego e segurança precisam ser os pontos principais das discussões.

Só que Ciro Gomes não parece ser o ator político capaz de conduzir esse grupo. Ele tem razão em varias pautas, mas com uma racionalidade característica de membros centristas ou de direita. Ele fala que a paixão política sobressai aos debates em alguns grupos estudantis, os igualando até aos apoiadores de Bolsonaro. Mas o pedetista também parece estar sempre movido por paixões, contra os esquerdistas claro – é ser um pitbull com os ditos progressistas, “eu sou o pós PT” e dócil em conversas com apreciadores e membros conservadores, o DEM que o diga.

Ao usar frases como “Lula está preso, babaca”, o ex-governador do Ceará não consegue agradar nem a gregos e nem a troianos: a grande maioria dos grupos de esquerda o rejeitam ainda mais – Lula é o maior líder popular do Brasil, queiram ou não queiram os juízes, e tem uma base eleitoral significativa; e os de ultra direita usam o novo jargão como motivo de chacota, mas não o suficiente para ter admiração pela eterna alternativa à Presidência da República que não consegue mudar de patamar desde a sua primeira campanha ao Palácio do Planalto.

Afinal, se quer que os outros usem estratégias diferentes para não serem novamente derrotados por que não faz o mesmo? A postura de ser o senhor da razão marchando com
uma militância que cresce a passos lentos, como é o PDT, não parece ser o caminho de mais sucesso numa possível corrida eleitoral. Seguir nesses rumos é se prender a uma “esquerda light” que agrega poucos e parece não sair do lugar.


*Alex Ribeiro é doutorando em História Política pela Universidade Federal de Pernambuco, cientista político pela UFPE e jornalista.

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