Cientista político Alex Ribeiro
Cientista político Alex RibeiroFoto: Pedro Farias

Por Alex Ribeiro, doutorando em História Política pela Universidade Federal da Bahia, cientista político pela UFPE e jornalista

A quebra da placa em homenagem ao dia da Consciência Negra no Congresso, feita pelo deputado Coronel Tadeu (PSL-SP) se assemelha a vários outros atos considerados
preconceituosos. É o racismo estrutural que ganha holofotes com a extrema direita, como o exemplo da placa em homenagem a vereadora Marielle Franco, destruída pelo agora deputado Rodrigo Amorim (PSL-RJ).

Não é só a aversão a esquerda, como no caso de Amorim, ou de defender a classe policial, argumento do Coronel Tadeu. É o racismo intrínseco que fica cada vez mais escancarado na prática desses parlamentares.

Mesmo com todas as informações feitas pelo respeito a cor da pele, da cor negra e da
diversidade da cultura afrodescendente o preconceito ainda corrói o país. O debate sobre o racismo estrutural se faz presente, mas é quase invisível para parte da população. É um conjunto de situações e práticas costumeiras que promovem, mesmo que indiretamente, o preconceito racial.

O racismo estrutural se faz presente quando 75% das vítimas de homicídio no País são negras.

A mais alta da década. Sendo a causa da metade das mortes de jovens, de acordo com o
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança.
É na análise do racismo estrutural que se escancara que mais da metade de estagiários em empresas privadas são brancos - de 69% contra 28,8% -, ou que menos de 10% de negros ocupam cargos de gerência ou quadros do Executivo, segundo o instituto Ethos.

Esses levantamentos são ignorados pelos achismos que viraram moda no atual momento
político brasileiro. No qual as cotas universitárias e a história da escravidão são por vezes negadas por parlamentares e demais atores políticos.

Parlamentares que tentam se mostrar imponentes e valentões nos seus discursos, mas que não aguentam uma charge.

Eles desdobram e multiplicam o racismo quando um policial, o Coronel Tadeu, destrói uma placa que era a representação de um PM assassinando um negro. É o simbolismo ao avesso que se torna maior que qualquer simbologia.

Num país que a escravidão durou mais de 350 anos, com os negros tendo direito ao voto
apenas em 1934, e que apenas em 2002 as cotas tiveram início para os afrodescendentes, a reparação histórica está ainda bem distante de ser realizada.

Em contraponto as práticas e discursos reacionários há uma reação preta e periférica, que se move e resiste através da ascensão universitária, da disseminação de sua cultura e do ingresso em mercados ainda predominantemente brancos.

O extremismo está em voga. A negrite deixa os racistas inquietos. Mas a resistência do povo negro nunca esteve tão forte.

E é só o começo.

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