Hely Ferreira, professor e cientista político
Hely Ferreira, professor e cientista políticoFoto: Kleyvson Santos / Folha de Pernambuco

Um dos grandes institutos de pesquisa do país, recentemente, realizou pesquisa, onde o seu principal interesse era mensurar o valor dado pelo brasileiro à democracia. Nascida em Atenas, o regime democrático sempre teve opositores. O mestre Platão dizia que era a mais bela forma de tirania inventada pelo homem. Seu aluno Aristóteles afirmava que
ela criava a falsa ideia de que todos são iguais.

Portanto, repudiar os ideais democráticos, não é algo exclusivo da sociedade chamada de pós-moderna. Acontece que a mesma se esforça em acatar o desejo da maioria, até mesmo quando o anseio é algo equivocado.

As impurezas surgidas na democracia, ou por causa dela, devem ser limpas pelo exercício do sufrágio. O mesmo funciona como um elixir depurativo. O problema é que quando alguns cidadãos ficam decepcionados com direitos ultrajados, ou com sonhos não realizados, preferem responsabilizar o regime democrático.

A revolta, ou a decepção pode produzir apatia social, fazendo com que esqueçam que a democracia não se resume aos direitos, mas também aos deveres. Querem o bônus,
mas não querem enfrentar o ônus. Com efeito, percebe-se que parte dos problemas, a responsabilidade não é do regime democrático. Pelo contrário, é a não participação de quem tem o dever em contribuir com as transformações sociais.

Quem não quer participar, não deve reclamar.

Hely Ferreira é cientista político.

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