Presidente Jair Bolsonaro
Presidente Jair BolsonaroFoto: Sérgio Lima/AFP

Imaginemos o Brasil daqui a duzentos anos. Por essa época, quando se abordar o governo Bolsonaro, a imagem que ilustrará livros e documentários será certamente a dos senhores ministros e do presidente alinhados na entrevista de quarta-feira, 18 de março, portando máscaras brancas, de maneira atabalhoada, sem o menor rigor, sem a menor coordenação, situação apontada por especialistas como totalmente fora de propósito. E, acima de tudo, foi antipedagógica.

E essa descoordenação esteve marcada em todos os pronunciamentos das autoridades ali presentes, incluindo a do ministro da saúde, aparentemente constrangido pela pressão do Presidente. Este, respondeu rispidamente aos jornalistas, que fizeram perguntas absolutamente procedentes em relação ao comportamento do presidente com a crise sanitária.

E, de tudo o que se disse na coletiva, a única mensagem que deve ter passado para a população em geral foi que os salários dos trabalhadores do privado podem ser reduzidos pela metade. O “timoneiro” Bolsonaro, como disse um serviçal ministro da saúde, está completamente perdido, mostrando mais uma vez seu total despreparo para o cargo.

No fim da tarde e na noite dessa quarta-feira da coletiva, Bolsonaro levou três gigantes panelaços em centenas de cidades através do Brasil, em três horários distintos, causados pela ampla insatisfação, inclusive de gente que o apoiou nas eleições. O descoordenado Bolsonaro ainda não entendeu que as pessoas estão se sentindo ameaçadas pelo vírus e esperam por esforços concentrados por parte do governo federal na figura daquele que foi eleito para acalmar, para dialogar e para coordenar os esforços.

No entanto, a descoordenação continuou na manhã desta sexta-feira, 20 de março, à saída do Alvorada, com o Presidente criticando o governo Witzel, do Rio de Janeiro, pela restrição de voos para aquele estado, procurando briga, politizando a crise.

Sem contar o azedume com a China, que protestou oficialmente contra um tuíte do filho Eduardo (“Eduardo Bananinha”, como o apelidou o vice-presidente Mourão) insultando aquele país pela epidemia do coronavírus. Tuíte esse que não teria maiores consequências se não fosse pelo sobrenome do deputado. O Presidente, nessa mesma saída do Alvorada, disse “não haver problemas com a China”. Ora, como assim não há problemas, se a China ainda espera por uma retratação?

Enquanto isso, os governadores dos estados continuam tomando as rédeas da situação, na falta de alguém adulto no Planalto, mas certamente precisam de um regente, que está justamente na figura do Presidente, e certamente vão precisar de dinheiro, agora que a autorização de gastos pelo governo federal em caso de catástrofe foi aprovada pelo senado.

Uma massa de pessoas que já viviam na pobreza, contando seus trocados, com a redução da atividade econômica, passarão a viver em completa penúria, pela falta de dinheiro para comprar até comida. O governo se esquece dessas pessoas, se esquece que tem compromisso com a população, e por isso mesmo esta está insatisfeita.
As panelas estão cheias de razão.

Jorge Waquim
Graduado em filosofia e Tradutor
@Jwaq

assuntos

comece o dia bem informado: