Sylvia Siqueira Campos
Sylvia Siqueira CamposFoto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Quando começou, ainda adolescente e de forma despretensiosa, a se envolver com o ativismo político e com a luta pelos direitos humanos, sobretudo das crianças e dos jovens, a jornalista Sylvia Siqueira Campos, que hoje preside a ONG Mirim Brasil, não poderia imaginar que se tornaria uma das três brasileiras convidadas pela paquistanesa e prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafza, para participar da rede Gulmakai, uma iniciativa do Fundo Malala que patrocina homens e mulheres que incentivam ou promovem a educação de meninas em vários países. O convite é um marco na trajetória da ativista e a prova do sucesso da sua atuação.

O encontro com Malala aconteceu em julho, em Salvador. Para Sylvia, a escolha é uma alegria, mas principalmente uma responsabilidade. "Conhecer Malala, estar com ela, ampliando vozes, uma voz que também é dela, me dá muito desejo de fazer mais e muita responsabilidade", complementou. As duas, inclusive, têm outro encontro já marcado para março de 2019, em Dubai, no Fórum Global da Educação.

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Sylvia Siqueira Campos

Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Com 36 anos - 23 de ativismo político - Sylvia é mestra em Gestão de Entidades não Lucrativas pela Universidad Complutense de Madrid e Especialista em Direitos Humanos; coordenadora da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong); colaboradora do Grupo Nacional de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030 das Nações Unidas e exerce o segundo mandato no Conselho Estadual de Defesa de Direitos Humanos de Pernambuco.

Aos 13 anos, conheceu a ONG Mirim Brasil - que atua na defesa e promoção dos direitos humanos com foco na infância, adolescência e juventude -, e ali deu início a sua trajetória na militância. “Meu pai (padrasto) sempre teve uma admiração muito grande por Brizola e era filiado ao PDT. Nessa relação partidária ele conheceu Anacleto Julião (fundador da Mirim Brasil) e surgiu o convite para participar da ONG”, explica. A experiência na organização despertou a inquietude que move a mulher, negra, de origem humilde, até hoje. Durante os anos seguintes, participou de vários processos formativos e tornou-se educadora - promovendo atividades de educação e direito em comunidades ou na sede da entidade.

Sylvia Siqueira Campos

Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

“O trabalho do Mirim me marcou muito porque eu me reconhecia naquelas crianças. Na pele, no olhar. Mas, ao mesmo tempo, era interessante porque eu me via protegida: tinha uma casa, tinha uma mãe e um pai que cuidavam de mim. Sempre tive uma inquietude dessa desigualdade. O Mirim foi o local em que eu pude refletir sobre isso de uma forma mais estruturada”, recorda. Sylvia lembra, ainda, que aos 30 anos "sentiu uma necessidade de ter uma atuação política provocando mudanças em curto prazo" e de se envolver em um partido político. "A minha intenção na filiação ao partido era estar contribuindo com uma estrutura partidária que pode provocar mudanças estruturais de curto prazo. Com essa experiência de movimento social, de organização", disse. Nas eleições deste ano, foi candidata a deputada estadual pelo PT, mas não se elegeu.

Mas, ainda que não tenha se elegido, pontua que a sua luta não acabou e que a educação "é a chave para promover mudanças".

Sylvia Siqueira Campos

Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

Momentos da vida de Sylvia, em sentido horário, começando à esquerda:

1. Aos 6 anos, em 1988, Sylvia tinha o sonho de ser bailarina no desfile de 7 de Setembro da escola, mas uma de suas professoras afirmou que ela nunca conseguiria.

2. A ativista política participou, como voluntária, de atividade do grupo Educação Feminista para crianças dentro do Projeto Mirim Brasil, em 2015. Hoje Sylvia é presidente da entidade.

3. Em julho deste ano, Sylvia encontrou-se com a paquistanesa e prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafza, em Salvador, após convite para participar da rede Gulmakai.
 
4. Participação na Conferência sobre Mulher e Cidade, em 2015, no Rio de Janeiro. Essa mesma reunião teve a presença da vereadora Marielle Franco, assassinada em março passado.

5. Em 2017, reunião com o conselho diretor da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong), da qual Sylvia é coordenadora. 

Momentos da vida de Sylvia Siqueira

Crédito: Acervo pessoal


 

 

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