Arma de fogo
Arma de fogoFoto: Pixabay

A maioria dos brasileiros é contra o direito de o cidadão se armar, mostra pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (28). Concordaram com a afirmação de que a posse de armas deve ser proibida, pois representa ameaça à vida de outras pessoas, 55% dos entrevistados. Para 41%, possuir uma arma legalizada deve ser um direito do cidadão, para que possa se defender.

Essa discussão foi um dos temas centrais desta disputa eleitoral. Rever o estatuto do desarmamento, aprovado em 2005, e facilitar a compra de armas de fogo é uma das principais propostas do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), deputado federal e capitão reformado do Exército.

Em seu programa de governo, Bolsonaro defende que a possibilidade de se armar garante o direito do cidadão à legítima defesa "sua, de seus familiares, de sua propriedade e a de terceiros".

Leia também:
Carlos Bolsonaro ironiza Joaquim Barbosa após declaração sobre manipulação
Empresa que atua para Bolsonaro questiona plataforma por apagar registro de mensagens 

"As armas são instrumentos, objetos inertes, que podem ser utilizadas para matar ou para salvar vidas. Isso depende de quem as está segurando: pessoas boas ou más. Um martelo não prega e uma faca não corta sem uma pessoa", afirma o documento com as propostas do presidenciável registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Em entrevistas, Bolsonaro diferenciou porte de posse de armas. Ele defendeu a jornalistas da RedeTV! a autorização para posse de armas a cidadão a partir de 21 anos, cumprindo pré-requisitos como exame psicológico, capacidade de manuseio e residência. O porte, por sua vez, poderia ser permitido a, por exemplo, vigilantes e caminhoneiros, desde que submetidos a testes.

A maioria dos eleitores que declaram voto em Jair Bolsonaro (67%) acredita que a posse de armas deve ser legalizada. Para 29% deles, a liberação deve ser proibida.

Na contramão, Fernando Haddad defende maior controle de armas -e a maioria de seus eleitores (83%) é contrária à liberação, enquanto 14% são favoráveis.

"Não podemos aceitar o risco de um banho de sangue no país, como consequência do ódio, de armas nas mãos da população, de autorização ilimitada para o Estado matar. O combate implacável à impunidade e ao crime organizado será feito à base de inteligência e valorização da autoridade policial", diz o programa de governo petista.

Entre a maioria dos leitores que declaram voto branco ou nulo (69%) ou estão indecisos (68%) também prevalece a posição pela proibição.

A rejeição ao direito de se armar, contudo, vem caindo. Em pesquisa Datafolha realizada em setembro deste ano, 58% avaliavam que armas deveriam ser proibidas e 40% que deveriam ser liberadas. Em novembro de 2013, quando o instituto propôs o tema em seu questionário pela primeira vez, 68% apoiavam a proibição de armas e 30% se colocavam a favor da liberação.

A legalização da posse tem mais apoio dos homens (50% deles) do que de mulheres (63%). O armamento tem mais rejeição entre jovens (62%), menos escolarizados (61%), e eleitores do Nordeste (65%) e do Sudeste (57%).

Leia também:
Haddad celebra apoio de Joaquim Barbosa
Ciro Gomes faz vídeo e não declara apoio direto a Haddad 

O apoio à posse de armas é maior na região Sul, onde é aprovado por 58%. No Centro-Oeste, 49% são pró-armamento e no Norte, 52%.

A sondagem do Datafolha é um levantamento por amostragem estratificada por sexo e idade com sorteio aleatório dos entrevistados. Foram entrevistados 9.173 eleitores, com 16 anos ou mais, em 341 municípios do país nos dias 24 e 25 de outubro de 2018. A margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi contratada pela Folha e pela TV Globo e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número BR-05743/2018.

ORIENTAÇÃO SEXUAL

O instituto de pesquisas também ouviu eleitores sobre a aceitação da homossexualidade.

Um dos temas discutidos nesta campanha foi a questão do "kit gay" -como Bolsonaro apelidou o projeto Escola contra a Homofobia, que Haddad tentou implementar em sua gestão no Ministério da Educação. O material não chegou a ser distribuído nas escolas, mas o capitão reformado mostrou um exemplar de um livro que integraria o projeto em entrevista ao Jornal Nacional.

Grupos de WhatsApp de apoio ao candidato do PSL e contrários ao petista compartilharam informações falsas sobre o "kit gay".

Para 74% dos brasileiros, ampla maioria dos entrevistados, a homossexualidade deve ser aceita por toda a sociedade, enquanto 18% pensam que deve ser desencorajada por toda a sociedade. Há ainda 8% que não opinaram sobre o tema.

Para 67% dos eleitores de Bolsonaro a homossexualidade deve ser aceita e para 25%, desencorajada. Entre eleitores de Haddad, esses índices são, respectivamente, de 83% e 10%.

Os mais jovens (84%), segundo a pesquisa, têm mais aceitação à ideia de que a homossexualidade deve ser aceita por todos, assim como os mais escolarizados (82%), mais ricos (82%) e católicos (80%).

Esse índice de aceitação fica abaixo da média entre os mais velhos (64%), menos escolarizados (67%), na região Norte (65%) e entre evangélicos (57%, ante 33% que acreditam que deve ser desencorajada).

Apesar de declarações do candidato consideradas polêmicas em relação ao tema, o programa de governo de Bolsonaro não destaca nenhuma proposta para a população LGBT. O de Haddad dedica um capítulo ao tema e promete promover "o direito à vida, ao emprego e à cidadania LGBTI+, com prioridade para as pessoas em situação de pobreza" e a "criminalização da LGBTIfobia".

DESIGUALDADE

O Datafolha também apurou a percepção da população em relação a diferenças salariais entre homens e mulheres e entre negros e brancos.

A maioria (66%) dos eleitores discorda de que negros ganhem menos que brancos no mercado de trabalho pelo fato de serem negros -54% discordam totalmente e 12%, em parte.

Eleitores de Bolsonaro (75%) discordam mais dessa afirmação, totalmente ou em parte, do que os que declaram voto em Haddad (57%).

Também é majoritária (59%) a parcela dos que discordam de que mulheres ganhem menos por serem mulheres -46% discordam totalmente e 13%, em parte. Segundo o Datafolha, 38% concordam que há diferenças salariais entre os gêneros (25% totalmente e 13%, em parte).

Entre os homens, 63% discordam de que mulheres ganhem menos no mercado de trabalho. Entre as mulheres, esse índice é de 55%. Eleitores de Bolsonaro (66%) acreditam mais, totalmente ou em parte, que não há diferenças entre gênero no mercado de trabalho do que quem vota em Haddad (53%).

veja também

comentários

comece o dia bem informado: