O resultado é um romance-reportagem de peso que, misturando fatos históricos e ficção
O resultado é um romance-reportagem de peso que, misturando fatos históricos e ficçãoFoto: Divulgação

Escrita em parceria com Anna Lee, obra póstuma de Carlos Heitor Cony retoma a trama de O Beijo da Morte, de 2003, e retrata investigações motivadas pela exumação dos restos mortais de João Goulart.

Ainda bem pequena, Verônica teve a vida marcada pelas atrocidades do regime militar. Anos depois, já uma jovem adulta, com as lembranças propositadamente enterradas, ela conhece o “Repórter”, um homem obcecado pelos mistérios da política do país e disposto a provar que as mortes de Jango, JK e Lacerda estavam interligadas. Abatido e desapontado por nunca ter conseguido o seu grande furo, ele se vê vencido por uma doença grave. Então, quando uma reviravolta da história parece finalmente dar corpo à sua teoria, é Verônica quem vai continuar a buscar pistas sobre o caso — compreendendo finalmente como sua própria trajetória se conecta à do Brasil dos anos de chumbo.

Verônica é a protagonista de Operação Condor, romance póstumo de Carlos Heitor Cony escrito em parceria com a também jornalista Anna Lee. Lançado agora pela Nova Fronteira, o livro amplia a narrativa de O Beijo da Morte, publicado pela dupla em 2003 e premiado com um Jabuti.

Os dois romances dialogam por meio de uma técnica de assimilação ficcional inovadora: o diário mantido pelo Repórter em O Beijo da Morte passa agora a servir de base para as apurações de sua amante.

Cony e Anna Lee produziram Operação Condor sob o impacto de investigações que, no âmbito das ações da Comissão Nacional da Verdade, culminaram, em 2013, com a exumação dos restos mortais de João Goulart — sob a suspeita de o ex-presidente ter sido assassinado por líderes da direita do Cone Sul. Para mostrar a atuação da chamada Operação Condor no Brasil, os autores realizaram extensa pesquisa, que se reflete não só em um texto de fôlego, como também na enorme quantidade de documentos coletados e compartilhados como parte da trama.

O resultado é um romance-reportagem de peso que, misturando fatos históricos e ficção, prende o leitor até a última página e traz à baila um sombrio capítulo da história do Brasil.


ANNA LEE é mineira de Belo Horizonte, jornalista, escritora, roteirista e doutora em Estudos da Literatura pela PUC-Rio, com estágio doutoral na Universidade Sorbonne Nouvelle — Paris III. Escreveu vários livros, entre eles, em coautoria com Carlos Heitor Cony, O Beijo da Morte, ganhador do Prêmio Jabuti 2004 — categoria Reportagem e Biografia —, que se tornou agora parte integrante de Operação Condor. Trabalhou no jornal Folha de S.Paulo, na Editora Globo e atualmente é roteirista na TV Globo.

CARLOS HEITOR CONY nasceu no Rio de Janeiro em 1926. Estreou na literatura ganhando por duas vezes o Prêmio Manuel Antônio de Almeida, com os romances A verdade de cada dia e Tijolo de segurança. Considerado um dos maiores expoentes do romance neorrealista brasileiro, também se dedicou à crônica, aos ensaios, às adaptações de clássicos e aos contos. Ganhou quatro vezes o Prêmio Jabuti, duas vezes o Prêmio Livro do Ano da Câmara Brasileira do Livro e o Prêmio Nacional Nestlé de Literatura. Em 1998, foi condecorado pelo governo francês com a L’Ordre des Arts et des Lettres. Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em março de 2000. Era colunista da Folha de S.Paulo e comentarista da rádio CBN quando faleceu, em 2018, antes de ver publicado seu último livro.

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