Paralisação dos caminhoneiros na Rodovia Presidente Dutra, no Rio de Janeiro
Paralisação dos caminhoneiros na Rodovia Presidente Dutra, no Rio de JaneiroFoto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Alexandre Bastos de Araujo, 46, é caminhoneiro há 28 anos. Assim como o pai, dois irmãos e um sobrinho. A família, que vive em Esteio, na região metropolitana de Porto Alegre, está entre o grupo de caminhoneiros que segue em paralisação no Rio Grande do sul nesta segunda-feira (28).

"Não é uma greve, é um movimento para chamar a atenção do governo, para partir dele a redução de mordomias, de encargos. A carga tributária é muito alta, é isso que a gente está reivindicando. Os motoristas não querem seguir viagem porque não tem lógica tirar do óleo diesel e repassar para a gasolina. O governo já fez promessas e não trouxe benefício nenhum. Isso é uma conta injusta, quem vai pagar é a sociedade e ele vai colocar a sociedade contra nós", diz ele.

Segundo Alexandre, o movimento é "geral", com envolvimento em massa de caminhoneiros dos três estados da Região Sul. Ele diz que nas quase três décadas em que trabalha com transporte, nunca teve tanta dificuldade como agora.

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"Chegamos ao fundo do poço. A carga tributária está nos esmagando. A gente já tinha dado recado em 2015, o governo fez pouco caso". No final da tarde de segunda, ele estava entre os caminhoneiros que fez carreata pelo Centro de Porto Alegre até o Parque Moinhos de Vento, onde encontraram um grupo a favor da intervenção militar, que também segurava faixas em apoio à paralisação. Alexandre, porém, diz que a pauta não é uma das prioridades do movimento agora.

"Não vou opinar sobre isso aí", respondeu à reportagem. "O nosso objetivo é que o governo faça uma conta melhor, que não ponha a sociedade contra os caminhoneiros. A gente não quer que a sociedade pague essa conta. Esse movimento é geral, tu vê os carros buzinando [em apoio], a sociedade está junto com a gente".

De acordo com informações do governo do Rio Grande do Sul, há 241 pontos sendo monitorados ainda com movimentação de caminhoneiros, na região metropolitana e no interior. "As reivindicações legítimas foram atendidas em grande parte, agora nós damos sequência às operações para dar andamento ao abastecimento", declarou o vice-governador, José Paulo Cairoli (PDS).

No município de Charqueadas, a 60 km de Porto Alegre, um protesto de caminhoneiros e apoiadores, em frente à fábrica da GKM, bloqueou uma rodovia temporariamente. Mas o Comando Rodoviário da Brigada Militar, a polícia militar gaúcha, diz que nenhum dos 131 pontos que seguem com protestos em rodovias estaduais está bloqueado. Os manifestantes estariam pedindo apenas a parada dos caminhoneiros.

Durante o dia, houve protestos também em frente à Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), que atende Rio Grande do Sul, parte de Santa Catarina e Paraná, além de outros estados por cabotagem. As cargas de combustíveis que saíram do local, para abastecer o Aeroporto Internacional Salgado Filho e viaturas de segurança pública, foram escoltadas pelo Exército e pela Brigada.

Diante do local, dezenas de pessoas, incluindo mulheres e crianças, estavam acampadas com faixas pedindo a intervenção militar e "fim da roubalheira". Em outro ponto, na mesma via, outro grupo segurava um cartaz dos "motoristas de aplicativos pela redução dos combustíveis". Comércios locais, como borracharias, guinchos e oficinas exibiam placas de apoio. Uma delas, à porta do estabelecimento, dizia: "somos todos caminhoneiros".

O Gabinete de Crise do governo do Rio Grande do Sul, criado para atender as questões geradas pela greve dos caminhoneiros, diz que as situações mais graves no estado são as de cargas vivas, transporte de rações e gargalos para setores de avicultura, suinocultura e laticínios no interior.

Estoques de leite seguem sendo descartados, mas ocorrências para distribuição de medicamentos já diminuíram. Dados consolidados, apresentados no fim da tarde, apontam que 72 postos de Porto Alegre já voltaram a ter combustíveis, além de 14 na região metropolitana e 88 no interior.

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