Professor e cientista político Hely Ferreira
Professor e cientista político Hely FerreiraFoto: Pedro Farias

* Por Hely Ferreira, cientista político.

O conceito de família adotado está ancorado em valores construídos ao final do século XVI e início do século XVII. É bem verdade, que muitas coisas mudaram, mas em regra é possível encontrar seu legado. Quando Arístocles (nome verdadeiro de Platão) desenvolveu sua teoria sobre o bom governo, acreditou haver encontrado o caminho para banir a influência da família nas decisões políticas do líder.

Para ele, o caminho seria retirar desde cedo, a criança do contato familiar, pois se chegasse a exercer alguma função pública, teria como preocupação o bem da cidade e não da sua família. Acontece que no Brasil é muito comum nos rincões, assistirmos líderes municipais administrarem os municípios como se os mesmos fossem uma extensão da sua casa. Percebe-se claramente a fusão entre o público e privado, onde aos poucos decisões administrativas são tomadas por algum membro da família do chefe do poder executivo.

O mais famoso de todos os secretários de Florença, disse que o Príncipe não tem amigo, seu amigo é o poder. Porém adverte que não se deve tratar com indiferença os aliados, pois se virando contra o príncipe, se tornará no pior tipo de opositor. Por haver convivido ao lado do poder durante um período, conhece até certo ponto, como funciona os bastidores do principado.

Sendo assim, os comentários feitos pelo ex- aliado, ganha proporções incomparáveis. Além de que, os opositores do príncipe concluem, que se ele não tem apresso pelos aliados, terá pelos opositores? Quando um aliado do príncipe erra, ele espera que no mínimo receberá uma purgação do chefe.

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