Michel Temer
Michel TemerFoto: Evaristo Sá/AFP

O ano de 2017 começou com a expectativa de implosão da classe política em Brasília. A ameaça da divulgação da lista de denunciados pelos executivos da Odebrecht era a promessa do fim da carreira de diversas lideranças tradicionais. Para completar, em maio, outra delação inesperada dos executivos da JBS também colocou o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto de joelhos. O presidente Michel Temer (PMDB) e seus ministros, além do senador Aécio Neves (PSDB), viram seus futuros políticos em xeque.

A Federação tremeu, mas ela e seus caciques sobreviveram a mais um bombardeio de denúncias e escândalos de corrupção. No fim, ficou apenas a ressaca de mais um ano que termina como qualquer outro. O chefe do Executivo federal sobreviveu à abertura de dois inquéritos contra ele, e Aécio Neves garantiu a continuidade do seu mandato, como muitos outros.

Já em Pernambuco, o surgimento de uma nova oposição ameaça os planos de reeleição do governador Paulo Câmara.

Leia outras retrospectivas:
Sabores: O ano em que a gastronomia local recuperou o fôlego
Brasil: crise carcerária, violência e tragédia em escolas
Diversão & Arte: O ano em que o assédio não foi silenciado

Confira os fatos mais relevantes do ano:

JANEIRO

Posse dos prefeitos e vereadores eleitos em 2016
O dia primeiro de janeiro foi marcado pela posse dos 63,4 mil candidatos que venceram as eleições de outubro de 2016 e ocupam as prefeituras e câmaras de vereadores em 5.568 municípios. Em Pernambuco, 184 gestores foram empossados. Na Capital, o prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), renovou seu mandato por mais quatro anos.

Posse de Geraldo Julio

Posse de Geraldo Julio - Foto: Rocky Hox/ Arquivo Folha

Morre o relator da Lava Jato Teori Zavascki
Um trágico acidente aeronáutico tirou a vida do então relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, no dia 19 de janeiro, em um momento crucial dos rumos da operação, em janeiro. A morte ocorreu na véspera da divulgação da lista dos delatados da Odebrecht, que ameaçava a carreira de diversos políticos. Com a morte de Teori, o então ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, assumiu sua cadeira na Corte por indicação do presidente Michel Temer (PMDB) e o ministro Edson Fachi passou a comandar a relatoria do processo.


Ministros Teori Zavascki e Luiz Fux no STF

Ministros Teori Zavascki e Luiz Fux no STF - Foto: José Cruz/Agência Brasil


FEVEREIRO

Morre a ex-primeira dama Marisa Letícia
No dia 2 de fevereiro, a ex-primeira dama e mulher do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marisa Letícia, faleceu em razão de complicações causadas por um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico. O velório foi realizado no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, e contou com discurso emocionado de Lula.


Morte de Marisa Letícia

Morte de Marisa Letícia - Foto: Nelson Almeida

MARÇO

Paulo Câmara percorre Estado com caravana governista
De olho na reeleição, o governador Paulo Câmara percorreu o Estado com o programa Pernambuco em Ação. Ao lado dos seus aliados de cada região, fez um balanço das ações realizadas pela sua administração e repactuou metas para a reta final do mandato.

Paulo Câmara discursa durante o PE em Ação

Paulo Câmara discursa durante o PE em Ação - Foto: Anderson Stevens/Folha de Pernambuco

ABRIL

Operação Carne Fraca
Deflagrada em março pela Polícia Federal, a Operação Carne Fraca investigou a comercialização de carne com a qualidade adulterada pelas maiores produtoras do ramo do País. O escândalo envolveu mais de 30 empresas alimentícias, acusadas de vender o produto estragado, fora do prazo de vencimento, com aspecto maquiado e uso de produtos químicos supostamente cancerígenos. O então ministro da Justiça, Osmar Serraglio, foi acusado de envolvimento no esquema.


Operação Carne Fraca

Operação Carne Fraca - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

MAIO

Delação da JBS abala Brasília
Maior doadora da campanha eleitoral de 2016, a JBS surpreendeu o País com uma delação bombástica que atingiu 1.829 políticos. Os principais alvos foram o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves. As acusações renderam a abertura de uma chuva de inquéritos contra dezenas de políticos. Contudo, o tempo virou o feitiço contra o feiticeiro. O acordo firmado entre os executivos da empresa e o Ministério Público está em xeque e uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi aberta para investigar a costura da delação.

Irmãos empresários Wesley Batista e Joesley Batista, donos da Friboi, na cerimônia de entrega do prêmio aos melhores do ano da revista Istoé Dinheiro

Irmãos empresários Wesley Batista e Joesley Batista, donos da Friboi - Foto: Zanone Fraissat/Folhapress

A queda de Aécio Neves

Segundo colocado nas últimas eleições presidenciais, o senador Aécio Neves viu sua carreira política ser reduzida a pó. Em meses, o tucano teve o passaporte recolhido, cumpriu regime de recolhimento domiciliar, foi afastado do comando do PSDB Nacional e do Senado e viu sua irmã, Andrea Neves, e seu primo, Frederico Neves, serem presos. O motivo foi a delação da JBS, onde ele apareceu em uma ligação telefônica pedindo R$ 2 milhões para Joesley Batista. Em setembro, teve o afastamento do Senado revogado. Seus parentes também foram liberados este ano.

Aécio Neves durante sessão no Senado Federal

Aécio Neves durante sessão no Senado Federal - Foto: Sérgio Lima/AFP

JULHO

Condenação de Lula
Em julho, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado a 9 anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A sentença foi dada pelo juiz federal Sérgio Moro, mas a prisão do petista não foi decretada. Em dezembro, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) marcou o julgamento em segunda instância da liderança para o dia 24 de janeiro de 2018.

Coletiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a condenação por corrupção pelo juiz federal Sérgio Moro

Coletiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a condenação por corrupção pelo juiz federal Sérgio Moro - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

SETEMBRO

Disputa pelo comando do PMDB-PE
O senador Fernando Bezerra Coelho foi o protagonista da maior virada de mesa da política pernambucana. O parlamentar deixou o PSB para tomar o comando da principal sigla aliada do governador Paulo Câmara (PSB) para as eleições do próximo ano: o PMDB. Com a benção do presidente nacional do PMDB, Romero Jucá, Coelho deu início a uma longa disputa pelo comando da legenda com o grupo do deputado federal Jarbas Vasconcelos (PMDB). Em dezembro, uma mudança no estatuto do PMDB Nacional foi a primeira vitória de FBC na disputa, mas a guerra ainda deverá se estender por 2018.

Presidente do PMDB, senador Romero Jucá, e o senador Fernando Bezerra Coelho durante solenidade para sua filiação ao PMDB

Presidente do PMDB, senador Romero Jucá, e o senador Fernando Bezerra Coelho durante solenidade para sua filiação ao PMDB - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


OUTUBRO

Inquérito contra Michel Temer
As denúncias contra o presidente Michel Temer no caso da JBS renderam dois inquéritos contra o chefe do Executivo. As acusações feitas pelo ex-chefe do Ministério Público Federal, Rodrigo Janot, contra o gestor, foram derrubadas pela Câmara Federal em duas tumultuadas votações. Após um verdadeiro leilão de cargos e verbas, Temer conseguiu conquistar apoios para se manter no cargo.

Faixa pede investigação de Michel Temer

Faixa pede investigação de Michel Temer - Foto: Lula Marques/AGPT

NOVEMBRO 

Lava Jato do Rio de Janeiro
A Lava Jato carioca balançou a política no estado. Foram presos o presidente da Alerj, Jorge Picciani, e mais dois parlamentares, o que levou a uma intensa batalha judicial sobre quem poderia autorizar a prisão dos deputados. No final, a decisão ficou com o Tribunal Regional Federal da 1º Região (TRF1) que manteve a reclusão. O ex-governador Anthony Garotinho também foi preso.

Deputado estadual Jorge Picciani (de vinho), do PMDB, se entrega à Polícia Federal

Deputado estadual Jorge Picciani (de vinho), do PMDB, se entrega à Polícia Federal - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

DEZEMBRO

Oposição mostra a sua cara para 2018

A oposição ao governador Paulo Câmara antecipou a largada para a disputa eleitoral com um ato político, realizado no dia 11 de dezembro, no Paço Alfândega. PSDB, DEM, PTB, PV, PRTB, Podemos e PRB assinaram um manifesto com críticas ao Executivo estadual. Aliados do Palácio do Planalto tentaram colar o rótulo de "palanque de Temer" no grupo.

Ato da oposição para 2018

Ato da oposição para 2018 - Foto: Arthur de Souza/Folha de Pernambuco

veja também

comentários

comece o dia bem informado: