Posições nem sempre convergentes na Câmara

A previsão é que novas divergências sejam apresentadas em votações polêmicas como a Reforma do Ensino Médio, da previdência e trabalhista.

Germana Laureano é procuradora geral do MPCOGermana Laureano é procuradora geral do MPCO - Foto: Divulgação

 

As votações da bancada do PSB na Câmara Federal demonstram os diversos posicionamentos que orbitam no partido. Com o projeto presidencial de Eduardo Campos em 2014, diversas lideranças ingressaram nas hostes socialistas para reforçar o projeto eleitoral, sendo que muitas delas não tinham vínculo com as bandeiras históricas da legenda.

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O resultado é o posicionamento dividido em votações como o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e, mais recentemente, a votação da PEC 55, que prevê teto de gastos para o Governo Federal. A previsão é que novas divergências sejam apresentadas em votações polêmicas como a Reforma do Ensino Médio, da previdência e trabalhista.
"O PSB é um partido de verdade. Não é um partido que coloca uma ordem e todos seguem no automático. Temos história e entendemos que o partido se constrói com a diversidade de pensamentos, escutando e respeitando todas as lideranças", destacou o líder do PSB na Câmara, Tadeu Alencar.

Para evitar distensões, a bancada realiza diversas reuniões ao longo da semana para debater seus posicionamentos sobre pautas atuais e futuras. Também há a previsão de seminários da Fundação João Mangabeira para solidificar o posicionamento da sigla em pautas polêmicas. Ainda este mês, a agremiação debaterá a reforma do ensino médio.

Hoje em dia, os grupos mais fortes dentro do PSB são os de Pernambuco - liderado pelo governador Paulo Câmara e prefeito do Recife, Geraldo Julio - e de São Paulo, comandado pelo vice-governador Márcio França, que sairam das eleições municipais de 2016 com os resultados mais expressivos. O PSB pernambucano acabou se tornando voto vencido na apreciação da PEC 241 (atual 55). A orientação era votar contra, mas a maioria da bancada nacional votou a favor. Já o PSB de São Paulo está mais alinhada ao PSDB.

Ausência de líderes
Um partido em busca do seu projeto. Na avaliação de cientistas políticos entrevistados pela Folha de Pernambuco, a ausência de lideranças como Eduardo Campos e Miguel Arraes de Alencar fazem falta para o partido, que vem mudando suas visões ideológicas e se tornando uma legenda cada vez mais pragmática. O estopim para as divergências foi o apoio dado ao senador Aécio Neves nas eleições presidenciais de 2014, quando diversas lideranças deixaram as hostes socialistas.

O cientista político Vanuccio Pimentel avalia que o trabalho construído por Eduardo Campos precisou atrair um novo arco de alianças que, não necessariamente, estão ligadas às bandeiras históricas da legenda. Com a morte do ex-governador, esse movimento acabou provocando esse embate de visões, observado, hoje, na sigla.

"Por muito tempo, o PSB orbitou em torno do PT, mas Eduardo Campos, quando viu uma janela para construir seu projeto, acabou se descolando e precisou construir um arco de alianças fora dessa linha que o partido historicamente adotou. Esse movimento fez com que o partido se tornasse mais pragmático. Hoje, há uma transição ideológica e isso faz surgir divergências naturais dentro do partido", disse.

A ausência de uma liderança forte com um projeto nacional como Eduardo Campos também faz falta."Eduardo conseguiu catapultar o PSB, mas sem um grande líder. Isso se traduz nas divergências internas. Com a morte de Eduardo, algumas posições dentro do PSB ficaram insustentáveis", avalia o cientista político Antônio Henrique Lucena.

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