Prefeito de NY chama Bolsonaro de 'homem perigoso' e agradece a museu por cancelar evento

A homenagem a Bolsonaro, que seria realizada no museu, é organizada pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, que o elegeu como Pessoa do Ano

Bill de Blasio, prefeito de Nova YorkBill de Blasio, prefeito de Nova York - Foto: Andrew Burton/AFP

Bill de Blasio, prefeito de Nova York, chamou o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, de "homem perigoso" e agradeceu ao Museu de História Natural por se recusar a sediar um jantar que o homenagearia. "Jair Bolsonaro é um homem perigoso. Seu racismo evidente, homofobia e decisões destrutivas terão um impacto devastador no futuro do nosso planeta. Para o bem da nossa cidade, agradeço ao Museu de História Natural por cancelar esse evento", publicou no Twitter, na terça-feira (16).

A homenagem a Bolsonaro, que seria realizada no museu, é organizada pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, que o elegeu como Pessoa do Ano. O museu anunciou o cancelamento do evento na segunda-feira (15). "Com respeito mútuo pelo trabalho e pelos objetivos da nossa organização, decidimos conjuntamente que o museu não é a locação ideal para o jantar de gala da Câmara de Comércio Brasil-EUA. Esse tradicional evento será direcionado para outra locação na data e horário originais."

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A cerimônia de premiação está marcada para 14 de maio. Todos os anos, a Câmara de Comércio escolhe duas personalidades, uma americana e outra brasileira, e as homenageia diante de cerca de mil convidados, com entradas ao preço individual de US$ 30 mil. O nome do americano homenageado neste ano ainda não foi divulgado.
Na sexta (12), o prefeito Blasio pediu ao museu que não recebesse Bolsonaro. "Isso [homenagear Bolsonaro] vai além de uma mera ironia e chega a ser uma contradição chocante. Esse cara é um ser humano muito perigoso", disse ele, em entrevista à rádio WNYC.

Em reação às críticas, o assessor da Presidência brasileira para assuntos internacionais, Filipe Martins, chamou o prefeito nova-iorquino de "toupeira".
"Não há surpresa alguma em ver Bill de Blasio -um sujeito que colaborou com a Revolução Sandinista, que considera a URSS um exemplo a ser seguido e que faz comícios no monumento dedicado a Gramsci no Bronx- criticando o presidente Bolsonaro. Surpresa seria uma toupeira dessas o elogiar", escreveu Martins em uma rede social.

Em comunicado divulgado em fevereiro, a Câmara diz que a escolha de Bolsonaro como pessoa do ano é um "reconhecimento de sua intenção de fomentar laços comerciais e diplomáticos mais próximos entre Brasil e EUA e seu firme comprometimento em construir uma parceria forte e duradoura entre as duas nações."

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