Prefeitura de Carpina entra na mira do MPPE

Depois de investir contra Legislativo do município, agora, MPPE apura irregularidades no Executivo local

Senado abriu consultas públicas sobre temas controversosSenado abriu consultas públicas sobre temas controversos - Foto: Reprodução / Portal do Senado

 

Após o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) deflagrar a Operação Caça Fantasmas, dirigida exclusivamente ao Poder Legislativo de Carpina, na Mata Norte, agora é a vez do Poder Executivo entrar na mira do órgão. O promotor de Justiça em Carpina, Fernando Falcão, instaurou, na última segunda, inquérito civil para investigar o atual prefeito Carlinhos do Moinho (PSB) por suposto “enriquecimento ilícito, fraude documental e lavagem de dinheiro”.

Entre os alvos da investigação, está a aquisição da casa, onde ele mora, pelo filho de 7 anos em 2013, com valor abaixo do mercado, e realização de contratos irregulares entre prefeitura e empresa de parentes do gestor. A 2ª Promotoria de Justiça identificou que o filho do gestor de 7 anos adquiriu o imóvel numa das principais avenidas do município - avaliado em R$ 800 mil -, por R$ 50 mil - valor que consta em cartório.

Além disso, o irmão do prefeito adquiriu cinco lotes no valor, somado, de R$ 32 mil, sendo dois deles avaliados pela própria prefeitura em R$ 70 mil, cada. Falcão disse, também, que, assim que Carlinhos do Moinho assumiu a gestão no início de 2013, contratou o irmão para fornecer a merenda do município.
A prefeitura firmou contrato com a M & F Comércio e Serviços Ltda., empresa que presta serviço de locação de caminhões de coleta de lixo, que estaria no nome de um “testa-de-ferro”. Dois veículos agregados a esta empresa pertencem a dois familiares do gestor. Segundo o promotor, a empresa apresentou irregularidades nos atestados apresentados. Ainda segundo ele, alguns depoimentos apresentaram contradições.
O promotor destacou que, a partir de janeiro de 2017, quando o socialista deixará a prefeitura, perderá o foro e poderá ser investigado criminalmente. “Se for verificado que estes contratos têm qualquer tipo de corrupção, vantagem indevida ou lavagem de dinheiro, ele pode responder criminalmente (peculato e lavagem de dinheiro) e por improbidade administrativa”, afirmou Falcão. Caso seja condenado por improbidade, o prefeito pode ficar inelegível, ter que ressarcir o dano ao erário e pagar uma multa de até cem vezes o valor do prejuízo.
No despacho, o Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), destacou que a empresa recebeu R$ 2,5 milhões entre 2015 e 2016, “enquanto o prefeito atrasa o pagamento de servidores, contratados, aposentados e pensionistas sem justa cau­sa”. No início deste mês, a Folha de Pernambuco publicou matéria, com denúncias de desmonte na Prefeitura de Carpina, após o atual prefeito perder a eleição municipal para o deputado estadual Manoel Botafogo (PDT).

Durante a transição de governo, a situação do hospital do município, da coleta de lixo e os atrasos nos salários dos servidores levaram o prefeito eleito a procurar o MPPE. A reportagem da Folha de Pernambuco tentou contato com o prefeito e com a empresa, mas não obteve êxito.

 

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