Preocupado com 2018, PSB reage

Temendo aliança com Alckmin, desejada por setores do partido, socialistas cogitam candidatura para Presidência. Só falta achar um nome

Ulysses GadêlhaUlysses Gadêlha - Foto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

 

A ascensão do PSB de São Paulo e a possibilidade de aliança da agremiação com o governador e presidenciável, Geraldo Alckmin (PSDB), provocou uma reação dentro da legenda, visando a corrida eleitoral de 2018. O freio partiu de lideranças da sigla que passaram a defender, abertamente, o lançamento de uma candidatura presidencial para o próximo pleito.

A defesa já foi feita publicamente por lideranças da sigla, como o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira; o vice presidente nacional do PSB, Beto Albuquerque; o prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), e os deputados federais Julio Delgado (PSB) e Danilo Cabral (PSB), que nesta quinta-feira chegou a lançar uma nota propondo a retomada do projeto próprio para 2018.
“Não aceitamos ser puxadinho do PT e, muito menos, de forças conservadoras agora. Tem gente querendo tratar o PSB como sublegenda, mas o PSB é um partido que tem história e independência”, reagiu Danilo Cabral. Apesar da sigla não ter um nome natural para a disputa, a leitura é de que será preciso marcar terreno para não passar a impressão de um alinhamento automático com o PSDB.
Dentro da legenda, começa a haver uma preocupação com os rumos que a legenda começa a tomar para o próximo pleito. Em São Paulo, o vice-presidente nacional do PSB e vice-governador de São Paulo, Márcio França, começa a articular a aliança com o PSDB visando ser o candidato ao Executivo estadual local. O paulista ganhou fôlego ao tornar o PSB a segunda legenda com o maior número de prefeituras no Estado e tenta construir um alinhamento com Geraldo Alckmin. Também há um fortalecimento de uma ala do partido com o Governo Temer, o que poderia influenciar na postura do partido nas eleições de 2018.

Alinhamento
Em reação, um grupo com forte peso do PSB de Pernambuco e lideranças de outros estados não querem construir um alinhamento automático com o PSDB ou PMDB. Para esse grupo, o cenário do próximo pleito ainda está indefinido e o martelo ainda não pode ser batido.
Um ponto crucial neste embate será a eleição da nova direção nacional do PSB no próximo ano. O novo comando será responsável por conduzir as eleições presidenciais e poderá ser decisivo na posição do partido.

Por isso, já há um movimento em defesa da manutenção de Carlos Siqueira na presidência para evitar o fortalecimento dos aliados de Alckmin e da ala do PSB ligada ao Governo Temer. Também há uma preocupação com a ascenção de um grupo de lideranças novas na sigla com uma visão mais conservadora e menos ligada às bandeiras históricas da legenda.

Este grupo ingressou na agremiação para fortalecer o projeto presidencial do ex-governador Eduardo Campos em 2014 e não possui uma identidade com a sigla. É uma ala que se aproximou do Governo Michel Temer e vem ganhando a maioria das votações na Câmara Federal. A previsão é que novos embates e divisões na bancada da sigla venham à tona em votações como a instalação da CPI da UNE, reforma do ensino médio e reforma previdenciária.

 

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