Presença de Lula mudou rotina da PF em Curitiba com segurança e militantes

A mudança foi determinada pela juíza federal Carolina Lebbos, da Justiça Federal do Paraná

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da SilvaEx-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Marlene Bergamo/Folhapress

A transferência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de uma cela na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba para uma unidade prisional em São Paulo foi um pedido do chefe da PF paranaense, Luciano Flores, que alegou que a presença do petista alterou a rotina do local.

A mudança foi determinada pela juíza federal Carolina Lebbos, da Justiça Federal do Paraná, que é a responsável por verificar o cumprimento da pena do petista.

Lula está preso há um ano e quatro meses após condenação em segunda instância na Lava Jato, acusado de aceitar a promessa de um tríplex em Guarujá (SP) como propina em troca de contratos da empreiteira OAS com a Petrobras.

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Desde o dia 7 de abril de 2018, foi montado um esquema especial na PF paranaense para acomodar o ex-presidente no quarto andar do prédio, que foi isolado. Lula vive em um espaço adaptado para atender às exigências de uma sala de estado-maior, benefício previsto em lei para chefes de Estado que são encarcerados.

O espaço se resume a um quarto de 15 metros quadrados com banheiro, que era usado antes para descanso de policiais em viagem para Curitiba. Lá ele tem televisão, armário, uma mesa com quatro cadeiras e uma esteira ergométrica. Um frigobar fica no corredor e é abastecido com alimentos tanto de Lula quanto dos agentes federais.
  
No pedido para a transferência de Lula, o chefe da PF do Paraná diz que "há comprometimento de parte relevante do efetivo da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba/PR, movimentado para a composição de escalas de reforço na segurança da sede e de seu entorno".

Ele afirma ainda que "há necessidade de mobilização de efetivo de outras unidades para reforço da segurança e manutenção de serviços da unidade policial, gerando prejuízos nas unidades de origem e sobrecarga de gastos da unidade gestora".

A cela de Lula no quarto andar da sede da PF fica distante da carceragem, localizada no primeiro andar, onde vivem os outros presos. Então houve a necessidade de fazer uma equipe de segurança particular para o petista. São oito policiais convocados a cada 30 dias de outras unidades da Polícia Federal especialmente para a escolta exclusiva do ex-presidente.

Como Lula recebe duas vezes por dia a visita de advogados, uma hora pela manhã e à tarde, é preciso que agentes sejam deslocados de suas funções para acompanhar esses encontros. Nas quinta-feiras, dias de visitas de familiares e amigos, o contingente de agentes mobilizados para esses deslocamentos aumenta.

Militantes também demandam atenção. Vários vão até a recepção da Polícia Federal para deixar presentes e cartas para o ex-presidente. Não é raro que agentes gastem tempo explicando que Lula não pode receber agrados, como vasos de vidro, objetos com pontas cortantes e até bebidas alcoólicas.

Ao solicitar a transferência de Lula, o superintendente Flores diz que, após a prisão do petista, "diversas pessoas passaram a se aglomerar no entorno da sede da Polícia Federal; que a presença de grupos antagônicos passou a demandar atuação permanente dos órgãos de segurança de forma a evitar confrontos, garantir a segurança dos cidadãos e das instalações; que toda a região teve sua rotina alterada".

Antes mesmo de Lula chegar ao Paraná, já havia militantes contra e a favor do ex-presidente no entorno da sede da PF esperando sua chegada.

Os apoiadores do petista montaram um acampamento num terreno baldio distante algumas quadras da sede da polícia. Mais tarde, eles alugaram um espaço bem em frente ao prédio e permanecem lá até hoje. Não houve incidentes graves até agora, mas a atenção da segurança da PF é constante.

Em episódios em que se enxergou a possibilidade de que Lula fosse colocado em liberdade, como numa decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do STF, que determinou que presos que cumpriam pena antecipada por condenação em segunda instância fossem soltos, o entorno da PF foi tomado por manifestantes a favor e contra Lula. A decisão de Marco Aurélio foi derrubada pelo presidente da corte, Dias Toffoli, e o dia terminou sem confusão.

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