Novo ensino médio

Presidente de conselho dos secretários de educação critica suspensão de prazos para mudanças no Enem

Documento deve ser assinado pelo ministro da educação Camilo Santana nos próximos dias

Corredor de escola Corredor de escola  - Foto: Pexels

O presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Vitor de Angelo, criticou a suspensão dos prazos de implementação do modelo. Segundo ele, na prática, os estados continuariam tocando o modelo ao menos até o fim do ano ainda que a portaria suspendesse os prazos.

O Ministério da Educação (MEC) finalizou uma portaria para suspender o cronograma de implementação do novo ensino médio. O documento deve ser assinado pelo ministro da educação Camilo Santana nos próximos dias e interrompe a implementação do novo ensino médio no primeiro e segundo ano da etapa ainda em 2023, além de suspender a necessidade de adaptação do Enem ao novo modelo em 2024.

– A reforma não é do Consed, é produto de leis, decretos, portarias e resoluções. Nós somos gestores responsáveis pela implementação da reforma e defendemos o caminho percorrido até aqui, porque quem percorreu foi a gente, em grande parte sozinhos. Com erros e acertos a reforma que existe foi a que nós conseguimos implementar. Sabemos que ela tem problemas, mas eles não invalidam a reforma, só precisam ser ajustados e melhorados e agora temos um MEC em condição de nos apoiar nisso.

O MEC tem sido alvo de pressão de gestores estaduais e entidades ligadas à educação que defendem a continuidade da reforma do ensino médio. A demora de Camilo em tomar decisões relacionadas ao tema já tem sido vista com maus olhos por aliados.
 

A portaria que deve ser assinada por Santana ainda nesta semana altera norma publicada em 2021 pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além da implementação do novo ensino médio e mudanças do Enem até 2024, a portaria também suspende a necessidade de confecção de itens e a construção de um novo modelo para o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) em 2024.

No último mês atores ligados à área da educação têm pressionado o governo pela revogação da Reforma do Novo Ensino Médio. O argumento é que o modelo intensifica desigualdades educacionais e tem sido implementado de forma precária no país. Ao mesmo tempo, estados, que são os principais responsáveis pela etapa, resistem em rever a implementação da reforma.

Segundo interlocutores, embora concorde com as críticas ao novo ensino médio, o ministro Camilo Santana resiste em tomar medidas drásticas, como a total revogação da reforma, por temer desgastes políticos na relação com secretários estaduais de educação, que defendem a continuidade do modelo.

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