Bruno Araújo

Presidente do PSDB defende apuração de suspeita de fraude em prévias

Bruno Araújo, presidente nacional do PSDBBruno Araújo, presidente nacional do PSDB - Foto: Ed Machado/Folha de Pernambuco

O presidente do PSDB, Bruno Araújo, defendeu neste domingo (24) a apuração das suspeitas de filiação fora do prazo para militantes do partido poderem participar das prévias presidenciais.

"Eu estou numa posição de julgador, mas é um assunto sensível que merece um grau de atenção relevante. Vamos aguardar", afirmou, em Dubai (Emirados Árabes Unidos).

Segundo acusação protocolada pelos diretórios do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Bahia e Ceará, 92 filiações de prefeitos promovidas pelo PSDB em São Paulo tiveram suas datas fraudadas –o limite para poder participar das prévias como filiado tucano era 31 de maio.

Os acusadores são apoiadores do governador gaúcho, Eduardo Leite, que polariza a disputa nas prévias com o paulista João Doria. Por fora, sem chances concretas, corre o ex-prefeito manauara Arthur Virgílio.

A Folha localizou três casos em que há discrepância entre a data de filiação registrada no Tribunal Superior Eleitoral e a data presumida do ato, seja por admissão do prefeito ou por evidências em redes sociais.

Há consenso no PSDB, tanto do lado dos apoiadores de Doria quanto dos de Leite, que o caso é grave e provavelmente demandará uma ação incisiva, com o congelamento das filiações e sua consequente remoção do cesto de votos presumidos a Doria.

As prévias acontecem em 21 de novembro, com eventual segundo turno sete dias depois.

Antes vistas como um passeio para o paulista devido à sua posição majoritária no seu estado, que concentra eleitores internos, elas agora estão sendo consideradas uma corrida mais acirrada devido ao trabalho de aliados de Leite – notadamente, o deputado Aécio Neves (MG) e o senador Tasso Jereissati (CE).

A questão das filiações é o novo eixo da disputa. O grupo de Doria se queixa do aplicativo bolado pelo PSDB para facilitar a votação dos filiados ao partido, com ou sem mandato ou cargos.

"O processo é inovador, e tem de ser desafiado o tempo todo", afirmou Araújo. Ele afirma que serão gastos mais de R$ 1,2 milhão nas prévias, e que seria impossível pelo custo usar a estrutura do TSE.

Araújo está em Dubai por causa de Doria. O paulista chega nesta terça ao emirado para liderar uma comitiva empresarial que visita a Expo Dubai 2020, a maior feira mundial do pós-pandemia.

O presidente do PSDB, que foi assim anunciado no evento de abertura da chamada Missão Dubai neste domingo, disse que está presente por sua própria conta, como pessoa física.

Ele descarta qualquer constrangimento e associação com o momento interno do partido, embora seja óbvio que ele vai virar alvo de apoiadores de Leite.

Araújo tem uma representação de seu escritório de advocacia em Dubai há anos, e inclusive é registrado como residente no emirado, como todos os empresários na sua situação.

A missão paulista tem 42 empresários e 20 representantes do governo, incluindo 6 secretários estaduais.

Ela é promovida pela InvestSP, organização social paulista ligada à Secretaria da Fazenda, e bancada primariamente por recursos das empresas – ao todo, R$ 4 milhões, dos quais R$ 644 mil são dos cofres públicos para custear a viagem dos funcionários públicos.

Jornalistas de 11 veículos, inclusive a Folha, acompanham o evento a convite da InvestSP.

Paralelamente à missão, ocorrerá a chamada São Paulo Week, dentro do escopo do pavilhão do Brasil na Expo.

O investimento é de R$ 10 milhões, 60% bancados pelo setor privado, e inclui a presença de 150 artistas comandados pelo time que fez a abertura das Olimpíadas do Rio em um show diário durante a semana.

Doria é o governador que mais investiu no evento, onde pretende apresentar-se como um contraponto ao presidente Jair Bolsonaro, que enviou o vice, Hamilton Mourão, para a abertura do evento e não fez grandes investimentos no pavilhão brasileiro.

Bolsonaro decidiu ir a Dubai depois, e deve estar na cidade no próximo dia 15. Ele e Doria são inimigos figadais, e o tucano tem estabelecido oposição sistemática ao presidente desde o ano passado.

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