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Presidente do PSDB diz que filiações sob suspeita nas prévias serão analisadas por comissão

A disputa está acirrada entre os governadores Eduardo Leite (RS) e João Doria (SP)

Bruno AraújoBruno Araújo - Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

O presidente do PSDB, Bruno Araújo, decidiu que a comissão responsável pelas prévias presidenciais irá decidir caso a caso sobre a participação na votação interna de 92 prefeitos e vice-prefeitos paulistas cujas datas de filiação estão sob suspeita.

A disputa está acirrada entre os governadores Eduardo Leite (RS) e João Doria (SP). O ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio também concorre, mas sem chances de vitória. A comissão é presidida pelo senador José Aníbal (PSDB-SP).


"A comissão não irá questionar a filiação dos mandatários, mas se estão ou não habilitados a votar. Nos casos em que a comissão decida pela permissão do voto nas prévias, esses farão suas escolhas por meio do aplicativo de celular desenvolvido para a eleição", diz o partido em nota.

A decisão de Araújo ainda será submetida à executiva nacional do partido em reunião nesta quinta-feira (28).
Araújo chegou a decidir vetar a participação desses 92 nomes, segundo o site Antagonista, mas voltou atrás após extensa negociação. Araújo e Doria estão em Dubai, onde trataram do assunto. O Governo de São Paulo participa da feira Expo Dubai.

Entre os tucanos, a avaliação é de que a questão terminará judicializada de qualquer forma e pode colocar as prévias em risco. Membros do partido dizem que o caso é grave e pode levar a acusação de falsidade ideológica.

Na semana passada, diretórios do PSDB do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Bahia e Ceará, alinhados a Leite, acusaram o diretório paulista, controlado por Doria, de fraudar as datas de filiações desses prefeitos e vices.

As regras das prévias determinam que só filiados até 31 de maio poderiam participar –o PSDB-SP diz que as filiações foram feitas antes do prazo, mas os aliados do governador gaúcho apontam que as fichas foram fraudadas com data retroativa.

Considerando os 92 nomes, o estado de São Paulo tem 365 prefeitos e vices. O total do país para os tucanos é de 1.000. Esse grupo tem peso de 25% na votação interna do partido.

Boa parte desses prefeitos e vices compareceu a um evento de filiação realizado pelo PSDB paulista em julho, quando foram registradas fotos com as fichas de filiação. A imprensa local registrou a migração de partido desses mandatários nessa época.

Em 14 de julho, o PSDB-SP registrou em seu site: "O Diretório estadual do PSDB-SP conta, a partir de agora, com 65 novos prefeitos e vice-prefeitos".

"A partir de hoje, com a filiação de 65 prefeitos e vice-prefeitos superamos mais da metade das cidades do estado de São Paulo com tucanos no poder", disse Marco Vinholi, presidente do PSDB de São Paulo e secretário da gestão Doria, segundo o site do partido.

Vinholi afirma que a festa foi apenas um ato simbólico e que as filiações já tinham acontecido. Na ocasião, porém, ele declarou à Folha de S.Paulo que os novos filiados não estariam aptos a votar nas prévias, o que foi registrado em reportagem.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, publicações de prefeitos em redes sociais mencionam a filiação naquela data. Além disso, um dos mandatários afirmou à reportagem ter assinado a ficha de filiação somente na última sexta (22).

No sistema da Justiça Eleitoral, que é preenchido pelo próprio PSDB paulista, as datas de filiação desse grupo de 92 nomes aparecem entre os meses de março e maio, mas as datas de registro, ou seja, as datas em que o partido lançou as filiações no sistema, estão entre agosto e setembro.

É comum, no entanto, que os partidos não registrem no sistema as filiações na data exata em que acontecem. É isso que argumenta o PSDB paulista, afirmando que a data de registro não deve ser levada em consideração.

Na opinião dos articuladores políticos de Leite, porém, o fato de o PSDB paulista não ter registrado as filiações até 31 de maio, tendo conhecimento das regras das prévias, evidencia que tais filiações não existiam à época.

Eles lembram ainda que, primeiro, o diretório paulista tentou modificar as regras das prévias para incluir esses filiados, algo que chegou a ser discutido em reunião com caciques tucanos. Uma resolução do presidente do partido, contudo, reafirmou a data limite. Então, segundo a tese dos aliados de Leite, é que houve a fraude.

O episódio já gerou desgaste para Doria entre tucanos. Segundo membros do partido ouvidos pela reportagem, a leitura entre filiados é a de que o governador paulista está disposto a ultrapassar limites para vencer o pleito, algo que pesa contra ele.

Na última quinta-feira (21), Doria evitou falar sobre o tema e respondeu a jornalistas que a questão diz respeito ao partido, não a ele. Leite cobrou apuração para que as prévias não fiquem manchadas.

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