Presidente do PSOL tem visto cancelado pelos EUA: "Pensam que vão nos intimidar"
Paula Coradi classificou o episódio como 'uma evidente retaliação política à firme atuação' da legenda em 'defesa da soberania do Brasil'
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A presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, teve o visto americano cancelado pelo governo do presidente Donald Trump. A sigla aponta que a decisão foi comunicada pelo consulado estadunidense nesta sexta-feira, após um comunicado inicial enviado na segunda-feira alegando que a representação diplomática teria "obtido informações" que a tornariam inelegível para entrar no país, sem fornecer detalhes.
Em postagem nas redes sociais, Coradi classificou o episódio como "uma evidente retaliação política à firme atuação" da legenda em "defesa da soberania do Brasil".
"Se pensam que vão nos intimidar com essas medidas tacanhas, esses fascistas estão muito enganados", escreveu Coradi no X.
NÃO VAMOS RECUAR!
Tive meu visto dos EUA cancelado nesta semana, em uma evidente retaliação política do governo Trump à firme atuação do PSOL em defesa da soberania do Brasil.
Se pensam que vão nos intimidar com essas medidas tacanhas, esses fascistas estão muito enganados. pic.twitter.com/C1yix89Epm — Paula Coradi (@paulacoradi) September 26, 2025
Baseada na seção 221(i) da Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA, a revogação permitiu que o consulado cancelasse o visto mesmo após sua emissão. A dirigente foi notificada e teve três dias úteis para apresentar explicações. Apesar da resposta enviada pela presidente do PSOL na quinta-feira, o consulado confirmou o cancelamento nesta sexta.
“Não vejo isso como um ataque pessoal, mas sim como um ataque ao PSOL por nossa atuação em defesa da soberania do Brasil”, afirma Paula Coradi em nota. “É uma arbitrariedade do governo do presidente Donald Trump”.
A presidente do PSOL também "reitera, assim como fez ao consulado, que não possui antecedentes criminais, não tem envolvimento em atividades ilícitas e sempre prestou informações verídicas em seus pedidos de visto".
O visto anterior de Coradi havia sido obtido em 2018. A solicitação de um novo foi feita após o extravio de seu passaporte com a autorização válida, em preparação para uma viagem a Chicago em 2025, onde participou de um evento com lideranças de esquerda estadunidenses.
"O PSOL expressa seu veemente repúdio a esta ação, que considera uma medida política de perseguição e intimidação. O partido se solidariza com sua presidenta e reafirma seu compromisso com a defesa da democracia, da soberania nacional e da luta contra as políticas arbitrárias de governos estrangeiros", diz a sigla.
O GLOBO questionou o consulado americano sobre o motivo do cancelamento, mas não obteve retorno.
Apoio nas redes
Coradi recebeu o apoio de parlamentares de esquerda como o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), que destacou o trabalho combativo realizado pela sigla contra Trump.
"O PSOL não aceita intimidação. O Brasil não aceita intimidação. Os EUA terem cassado o visto da nossa presidenta Paula Coradi só mostra que estamos do lado certo, do lado dos interesses dos brasileiros frente aos ataques do Trump", disse Boulos.
A líder do PSOL na Câmara, Talíria Petroni (RJ), afirmou que os Estados Unidos "continua sua perseguição a figuras de esquerda no Brasil".
"Isso é parte da escalada autoritária de Trump. Por isso, é hora de fortalecer todo o Sul Global, a América Latina e o Brics para derrotar mais essa etapa do imperialismo estadunidense", apontou Petroni.

