Procurador que esfaqueou juíza passa nesta sexta por audiência de custódia

A Associação dos Juízes Federais do Brasil e a Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul manifestou solidariedade à magistrada e pediu apuração rigorosa do caso

Tribunal Regional Federal da 3ª RegiãoTribunal Regional Federal da 3ª Região - Foto: Divulgação

Preso por tentativa de homicídio, após esfaquear uma juíza federal na sede do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), o procurador da Fazenda Nacional Matheus Carneiro Assunção deve passar pela audiência de custódia na tarde desta sexta-feira (4), em São Paulo. Ele foi preso ontem (3) pela Polícia Federal após o ataque à juíza Louise Vilela Leite Filgueiras Borer na sede do TRF3, na Avenida Paulista, região central da cidade.

Em nota conjunta, a Associação dos Juízes Federais do Brasil e a Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul manifestou solidariedade à magistrada e pediu apuração rigorosa do caso.

As associações reivindicam ainda mais segurança para que os juízes possam trabalhar. “A falta de segurança que acomete o ofício dos magistrados é crônica. Não se justifica, em nenhuma hipótese, colocar vidas em risco por motivo de restrições orçamentárias. A segurança, a ser garantida por profissionais devidamente treinados, é essencial para o exercício do ofício judicante”, acrescenta o comunicado.

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Para as entidades, a situação de violência pode ser reflexo do clima político no país. “O momento político em que vivemos, por sua vez, com a interdição do diálogo e a polarização ideológica, contribuem para o acirramento dos ânimos e para o desrespeito crescente às instituições. O Poder Judiciário tem sido objeto de ataques vis, que maculam a sua independência e botam em xeque a sua autoridade”, diz a nota.

Surto psicótico
O Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional lamentou o episódio e também manifestou solidariedade à juíza vítima do ataque. “Manifestamos todo o apoio e solidariedade à magistrada e à sua família neste momento traumático”, diz a nota.

Segundo o sindicato, Matheus Assunção aparentava encontrar-se “em estado de surto psicótico, no momento do ato”. Por isso, a entidade reforçou a necessidade de a apuração levar em consideração “as condições pessoais do procurador Matheus no momento do episódio, conferindo-se a ele o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa”.

De acordo com o sindicato, a atitude do procurador causou espanto nos que conviviam com ele. “Tal fato surpreende a todos da carreira e, principalmente, àqueles mais próximos de Matheus, um profissional dedicado, admirado pelos pares, ingresso na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional [PGFN] desde 2008, mestre e doutor pela USP [Universidade de São Paulo], e a quem amigos e colegas de trabalho reiteram estima”, acrescenta a nota.

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