Proposta de Fachin com regras para viagens e presentes no Judiciário será analisado no CNJ
Segundo o ministro, a proposta é de um modelo "orientador e de gestão de risco", que estabelece parâmetros objetivos para identificar, tratar e mitigar conflitos de interesse
O presidente do Conselho Nacional de Justiça, Edson Fachin, anunciou nesta terça-feira que o órgão vai discutir, pelos próximos 60 dias, uma proposta para prevenir conflitos de interesses no Judiciário. Segundo o ministro, a proposta é de um modelo "orientador e de gestão de risco", que estabelece parâmetros objetivos para identificar, tratar e mitigar conflitos de interesse "reais, potenciais ou aparentes", sem criar hipóteses de impedimento, suspeição, incompatibilidade funcional ou infração disciplinar.
—O propósito é fortalecer cultura de integridade baseada na orientação transparência e autorregularão responsável. Trata-se de consolidar ética como cultura organizacional como prática cotidiana e virtude institucional — afirmou. Fachin ponderou ainda que a proposta prevê mecanismos de transparência, consultas preventivas, ações de formação continuada, gestão de riscos e atribuições institucionais do CNJ e dos tribunais para implementação da política de integridade.
Ainda segundo o presidente do CNJ, a minuta que agora será discutida pelo colegiado trata também da participação de ministros em eventos custeados por terceiros, presentes e hospitalidades, assim como de atividades externas. Ainda apresenta instrumentos de transparência e declaração de interesse, consulta preventiva e orientação ética, gestão de riscos da integridade e adoção de uma cultura de integridade.
Leia também
• Fachin propõe ao CNJ regras para viagens patrocinadas, presentes e conflitos de interesse
• Fachin diz que STF deve conviver com contestações: "Fortalece a democracia"
• CNJ deve votar em agosto resolução de Fachin para prevenir conflitos de interesse na magistratura
Em breve discurso antes da apresentação formal da minuta ao CNJ, Fachin afirmou que "muitas transformações institucionais acontecem sem alarde", sendo a resolução sobre conflito de interesses uma delas. O ministro afirmou que a proposta, junto de outras ações do Observatório de Integridade e Transparência do CNJ (responsável pela elaboração da minuta), representa um "avanço silencioso, profundo e substantivo"
— O Judiciário vem aprimorando seus mecanismos de conformidade, transparência e integridade. Esse é o caminho certo e nele estamos — declarou.

