Protagonistas do mensalão seguem atuando nos bastidores

Alvos do processo se dividem entre a influência nos bastidores da política, aposentadoria e novos projetos

Roberto Jefferson Roberto Jefferson  - Foto: Valter campanato/abr

Em áudio enviado à militância petista no início do mês, José Dirceu diz que segue na luta: "nós vamos retomar o governo do Brasil". Seu antagonista Roberto Jefferson (PTB) não perdeu a oportunidade de fazer troça: "volta pra Curitiba, Zé, deixa o Brasil em paz". Na mesma semana, o ex-presidente do PR, Valdemar da Costa Neto, encontrou-se com Michel Temer em Brasília para articular votos em favor do peemedebista na votação de denúncia por corrupção passiva.

Com atuação nos bastidores, três protagonistas do mensalão voltaram à cena. Mas são exceções. Cinco anos após o julgamento do mensalão, a maioria dos 26 condenados leva uma vida discreta. Tirando o publicitário Marcos Valério, 56, todos estão fora da cadeia – parte teve perdão judicial, parte está no regime semiaberto ou prisão domiciliar.

Longe dos holofotes, dividem-se entre os que tentam se firmar novamente nas suas antigas áreas de atuação, os que se aposentaram, os que começaram novos projetos e os que respondem a novas acusações. Sócios de Valério na agência de publicidade SMP&B, Cristiano Paz, 65, e Ramon Hollerbach, 69, estão no primeiro grupo. Paz, que cumpre pena no semiaberto, trabalha na área comercial do jornal "Estado de Minas". Seu colega Hollerbach foi autorizado a sair para trabalhar como consultor de comunicação.

Há também quem tenha mudado de ares. José Roberto Salgado, 56, ex-diretor do Banco Rural, recebeu liberdade condicional em dezembro passado e se dedica à criação de touros da raça guzerá em Curvelo (MG). O ex-deputado federal João Paulo Cunha (PT) concluiu o curso de direito, trabalha em um escritório de advocacia e faz pós-graduação em Direito Constitucional em Brasília. José Genoíno, ex-presidente do PT, é instrutor em cursos online ministrados pela Fundação Perseu Abramo.

Valdemar da Costa Neto está por trás da criação de um novo partido, o Muda Brasil, que pode abrigar a candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) à Presidência.

Cunha, Genoino e Costa Neto tiveram perdão judicial no processo do mensalão. O ex-deputado José Borba (PMDB) voltou-se para o seu berço político, a cidade de Jandaia do Sul (PR). No ano passado, tentou fazer da mulher prefeita do município, mas ela perdeu.

O único com plano declarado para um retorno à política no curto prazo é Roberto Jefferson. À reportagem, disse que será candidato a deputado federal "se a saúde deixar" – ele tem câncer na garganta. Ex-presidente do Banco Rural, Kátia Rabello, 56, obteve liberdade condicional no mês passado, e Simone Reis Vasconcelos, 60, ex-funcionária de Marcos Valério, teve a pena extinta. Elas se aposentaram.

Pelo menos cinco dos 26 condenados no mensalão estão às voltas com novos processos relacionados à Lava Jato. José Dirceu foi condenado a 11 anos e 8 meses e prisão e recorre em prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica. O ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, o ex-assessor parlamentar do PP João Cláudio Genu, e o empresário Enivaldo Quadrado também foram condenados, mas recorrem em liberdade.

Pedro Corrêa, ex-deputado federal, foi condenado a 20 anos de prisão e está em prisão domiciliar, em decorrência de uma cirurgia na coluna. Ele fez delação premiada, mas aguarda homologação do Supremo Tribunal federal. Duda Mendonça, réu absolvido no mensalão, confessou o recebimento de caixa dois da Odebrecht na campanha de Paulo Skaf (PMDB) em 2014. Sua agência de publicidade segue ativa, mas só atende empresas privadas. Na última eleição, o marqueteiro não assessorou ninguém.

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