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PSB tenta aumentar influência em federação com PT, PCdoB e PV, mas reunião termina sem acordo

Partidos também precisam definir nos próximos dias impasse envolvendo disputas estaduais em São Paulo, Rio Grande do Sul e Espírito Santo

Carlos SiqueiraCarlos Siqueira - Foto: Divulgação

O número de assentos que caberiam ao PSB numa eventual federação com PT, PV e PCdoB, além de impasses na composição de palanques estaduais, mantém as negociações entre os partidos estacionadas. Na reunião realizada nesta quinta-feira (10) em Brasília, os caciques das legendas decidiram que passarão a tratar da situação de cada estado individualmente, em vez de tentarem desatar todos os nós de uma só vez.

O PSB sugeriu que a assembleia do grupo considere em sua composição, além da proporcionalidade existente na Câmara dos Deputados, o número de prefeitos e vereadores eleitos por cada partido no pleito de 2020. Neste caso, o PSB ganharia certa vantagem, já que elegeu 250 prefeitos, contra 179 prefeitos petistas. 

Pelo modelo atual, o mesmo adotado pela Justiça Eleitoral para distribuição de fundo partidário, que considera as bancadas de deputados de cada partido, o PT teria 27 membros na assembleia, o PSB 15, enquanto PCdoB e PV teriam quatro, respectivamente.

Sem consenso, um novo encontro para tratar das regras da composição da federação está previsto para daqui a cerca de dez dias.

Outro ponto de divergência envolve proposta do PSB para que a maioria qualificados votos na assembleia da federação corresponda a quatro quintos de seus membros. O PT, por sua vez, defende a formação de maioria por dois terços.

Entre questões consensuais apresentadas hoje pelo PSB está considerar como "candidaturas natas" aquelas que envolvam a reeleição de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores. Neste caso, a solução evita embates nessas situações em 2024, caso a aliança se confirme.

Estiveram presentes no encontro desta quinta-feira, na sede do PSB, em Brasília, os presidentes do PSB, Carlos Siqueira, do PT, Gleisi Hoffmann, do PCdoB, Luciana Santos, e do PV, José Luiz Penna.

Pelas regras, caso se juntem, as siglas teriam que atuar como se fossem um único partido pelo prazo de quatro anos nos planos federal, estadual e municipal. A federação só permite um candidato em cada estado.

Ao mesmo tempo, PT e PSB buscam um acordo sobre as disputas estaduais no Rio Grande do Sul, São Paulo e Espírito Santo, o que deve ocorrer através de reuniões individuais nos próximos dias.

Anteriormente, as siglas já haviam resolvido impasse semelhante em Pernambuco, quando ficou decidido que o senador Humberto Costa (PT) abriria mão da candidatura para dar preferência do deputado Danilo Cabral (PSB), apoiado pelo atual governador Paulo Câmara, também do PSB. 

A nova rodada de conversas vai começar amanhã pelo Rio Grande do Sul, onde PT e PSB anunciaram como pré-candidatos, respectivamente, Edegar Pretto e Beto Albuquerque.

O principal entrave está em São Paulo, onde o PT não abre mão de lançar o ex-prefeito Fernando Haddad, e o PSB, o ex-governador Márcio França.

Além disso, nos últimos dias a previsão de um encontro entre o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), e o ex-ministro Sergio Moro, previsto para o próximo sábado, gerou mal-estar entre integrantes do PT.

Nesta quinta, o presidente do PSB, Carlos Siqueira, buscou minimizar o episódio e garantiu que Casagrande vai apoiar quem o partido orientar.

"Eu tenho certeza disso e eu tenho uma confiança muito grande no governador Casagrande de que ele vai seguir a orientação do partido. Ele me garantiu isso. O PT perguntou isso e eu respondi que, em conversa com ele, ele me deu essa garantia, disse Siqueira, em conversa com jornalistas.

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