PT sentiu o peso da derrota

Dirigentes avaliam que a campanha, apesar de perder nas urnas, venceu politicamente por promover “unidade partidária e reascender a militância”

HemobrásHemobrás - Foto: Divulgação

 

O ex-prefeito João Paulo era a última esperança da direção nacional do PT de eleger um prefeito numa capital estratégica do Nordeste, chave para a legenda, e da direção estadual de voltar a ter o protagonismo na política pernambucana. A vitória não veio, assim como para nenhum outro dos seis candidatos petistas que disputaram segundo turno.

Dirigentes avaliam que a campanha, apesar de perder nas urnas, venceu politicamente por promover “unidade partidária e reascender a militância”. Analista destaca que é o momento de o PT fazer uma autocrítica.
Após as brigas internas, en­tre João Paulo e João da Costa, na eleição de 2012, que culmi­naram num racha, neste pleito, apesar de os problemas não deixarem de existir, a candidatura de João Paulo “instigou a militância e teve unidade partidária”, avaliou Bruno Ribeiro, presidente estadual da legenda. Ele destacou que, além do Recife, as campanhas em Olinda e em Petrolina foram importantes para um reposicionamento.
Em Pernambuco, o partido elegeu 13 prefeitos em 2012, um saiu e quatro deles foram expulsos por não seguirem as diretrizes partidárias. Chegou a este pleito com oito, elegeu sete. Na última eleição municipal, elegeu 45 vereadores no Estado, nesta terminou com 58; diminui de cin­co para dois vereadores no Recife.
No Nordeste, tradicional reduto petista, o partido perdeu espaço: não governará nenhuma das capitais. Quando contabilizado todo o território nacional, consegue-se medir o peso da derrota. Das 644 prefeituras obtidas em 2012, o PT elegeu 254 nes­te ano. A única capital em que o partido venceu foi Rio Branco, no Acre. Houve, todavia, redução de 35,5% de postulações petistas nesta eleição (1.135) em relação à de 2012.
Segundo a secretária nacional de Coordenação Regional do PT, Vivian Farias, alguns petistas saíram do partido, mas a grande parte envelheceu ou não quis se colocar na disputa. Isto evidencia a necessidade de renovação. “O PT precisa reformar o mo­do de relacionamento com a política e com a sociedade”, ponderou Teresa Leitão, vice-presidente estadual do PT.
O cientista político Vanuccio Pimentel avaliou que o partido precisa traçar nova estratégia, que passa, invariavelmente, pela renovação de práticas e quadros, o que pode levar até 15 anos. Para ele, a vereadora Marília Arraes desponta, por sua expressiva votação, como nova liderança.
Ausências
Em meio ao desgaste do partido e da falta de alternativa da legenda em seus domicílios eleitorais, os ex-presidentes petistas Luiz Inácio Lula da Silva, em São Bernar­do dos Campos, e Dilma Rous­seff, em Porto Alegre, não votaram, neste domingo.

 

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