Quantos precisarão morrer?, disse vereadora um dia antes de ser morta no Rio

Socióloga e mestra em administração pública, Marielle havia sido nomeada relatora da comissão que acompanhará a intervenção federal no Rio

Vereadora Marielle Franco do PSOL-RJVereadora Marielle Franco do PSOL-RJ - Foto: Reprodução / Facebook

Um dia antes de ser assassinada, a vereadora Marielle Franco, 38, (PSOL) postou um desabafo no twitter ao comentar a morte de Matheus Melo, 23. O jovem foi baleado na segunda-feira (12) quando saía da favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio.

A família acusa policiais pela morte do rapaz. Matheus era evangélico e trabalhava na Fundação Oswaldo Cruz. Na rede social, a vereadora postou: "Mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando para a conta da PM. Matheus Melo estava saindo da igreja. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?", indagou a vereadora.

Marielle foi morta na noite desta quarta-feira (14) no Estácio, zona norte do Rio.
Ela e o motorista do carro foram baleados. A assessora da vereadora sobreviveu. A vereadora era aliada do deputado estadual Marcelo Freixo (Psol), que ficou em segundo lugar na eleição para prefeito do Rio.

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Freixo disse que todas as características do crime são de execução e que vai cobrar providências. Ela é nascida e criada no complexo de favelas da Maré, uma das regiões mais violentas da cidade.

Socióloga formada pela PUC-Rio e mestra em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Marielle foi a quinta vereadora mais votada do Rio na última eleição. Ela obteve 46.502 votos. No mês passado, ela foi nomeada relatora da comissão que acompanhará a intervenção federal no Rio.

Marielle era contra a ação do governo federal. Em entrevista, ela disse que a intervenção militar era "farsa". "E não é conversa de hashtag. É farsa mesmo. Tem a ver com a imagem da cúpula da segurança pública, com a salvação do PMDB, tem relação com a indústria do armamentismo", disse a vereadora.

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