Quatro anos depois, um pleito sem financiamento privado

"Propagandas eleitorais caríssimas, turbinadas com propinas, fazem qualquer candidato parecer um anjo"

Procuradores Procuradores  - Foto: Divulgação

Do cumprimento pela PF dos 81 mandados de busca e apreensão, no Posto da Torre, localizado a poucos quilômetros do Congresso Nacional, no dia 17 de março de 2014, para cá, passaram-se quatro anos. Naquele mesmo dia, foram cumpridos ainda 18 mandados de prisão preventiva, 10 de prisão temporária e 19 de condução coercitiva, em 17 cidades de seis estados, além do DF. Aquela foi apenas a primeira fase ostensiva da operação que viria a ser a maior investigação de corrupção executada no País. Na esteira dos desdobramentos da Lava Jato, o País caminha, este ano, para sua primeira eleição financiada por um robusto fundo público. A Lava Jato mudou o sistema eleitoral brasileiro. Em trecho de artigo públicado, ontem, na Folha de São Paulo, o coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, realça que "mais da metade dos R$ 6 bilhões em propinas do esquema da Petrobras foi paga para políticos e partidos". E emenda: "Propagandas eleitorais caríssimas, turbinadas com propinas, fazem qualquer candidato parecer um anjo". Sem o financiamento privado que, costumeiramente, regava as campanhas, a maior parte dos políticos, este ano, externa preocupação com o cenário ainda incerto que se avizinha para outubro. "Revelações feitas em delações premiadas por grandes empresários sepultaram o financiamento privado por empresas, posteriormente declarado inconstitucional pelo STF", grifa o procurador do Ministério Público de Contas, Cristiano Pimentel. Ultrapassada a luta contra o financiamento privado, a operação completa, hoje, quatro anos, tendo no radar nova batalha - desta vez, contra a revisão da prisão em 2ª instância pelo STF.

Na presença do Pastor Everaldo
A filiação do presidente da Alepe, Guilherme Uchoa, e de seu herdeiro, Guilherme Uchoa Júnior, ao PSC-PE será no próximo dia 20. Quem prestigia o ato é o presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo.

Ponta virada > Ainda esta semana, o presidente estadual da sigla, André Ferreira, antecipara à coluna que estava "tudo certo" para a travessia. Ontem, o clã dos Ferreira recebeu o dirigente da Alepe e seu filho no escritório político, quando foi formalizada a articulação.

Alternativa > O ingresso de Uchoa no PSC começa a desencadear novos cálculos na Alepe. Ainda ontem, havia parlamentares apostando que outras chapinhas, como a do SD começam a "entrar no mercado". Avalia-se que candidatos, até então, do PSC, podem começar a procurar alternativas, visando a minimizar os riscos.

No radar > Em Brasília, um jantar reuniu, na quarta, lideranças que integram a chapinha do PDT, PCdoB, SD e PP. Mas estavam à mesa ainda os deputados João Fernando Coutinho e Severino Ninho.

Dupla > Integrantes da chapinha apostam que João Fernando se integra ao grupo. Haveria resistências à entrada de Gonzaga Patriota.

Renê no PROS > A médica Renê Patriota vai se filiar ao PROS. Ela deixa o PV. Teve conversa com João Fernando Coutinho ontem. Além dela, três deputados estaduais procuraram a sigla.

Caso ... > “O Brasil está virando a Colômbia dos anos 90. O Rio de Janeiro virou Medellín de Pablo Escobar. Os narcotraficantes já tinham poder econômico. Agora, querem poder político. Um sério risco para a democracia. A questão da violência não pode ter um viés político". A avaliação é do secretário de Segurança do Recife, Murilo Cavalcanti.

...Marielle >
Murilo prossegue: "Experiências internacionais mostram que qualquer política de enfrentamento à violência urbana, para ter sucesso, precisa das duas mãos andando juntas: a mão social e a mão dura da Justiça. Do contrário, só vamos ver mais sangue, sofrimento e dor. A vida é sagrada”.

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