Quatro governadores na mira de investigações

MPF encaminhou suspeitas contra ex-parlamentares pelo escândalo da “Farra das Passagens”

ConcursoConcurso - Foto: Pixabay

 

SÃO PAULO (Folhapress) - Após denunciar 443 ex-deputados federais pelo escândalo conhecido como “Farra das passagens aéreas”, ocorrido na Câmara entre 2007 e 2009, o Ministério Público Federal encaminhou as suspeitas contra quatro governadores ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que tem atribuição legal para investigá-los. Na mira das acusações estão o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), de Sergipe, Jackson Barreto (PMDB), e de Roraima, Suely Campos (PP). Todos eram deputados no período investigado.
O Ministério Público Federal não informou, nesses casos, quanto cada um gastou nem quem foram os beneficiários das viagens. Cópia da investigação também foi remetida ao Supremo Tribunal Federal (STF) para analisar a abertura de inquérito contra outras 215 pessoas que têm foro perante a corte – deputados, senadores, ministros do TCU e sete auxiliares ministeriais do governo Michel Temer (PMDB). São todos suspeitos de emitir bilhetes aéreos pagos pela Câmara Federal em favor de terceiros, como familiares ou amigos. De acordo com o Ministério Público Federal, a cota deveria ser empregada exclusivamente no exercício da atividade parlamentar.
Os 443 ex-deputados já denunciados ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) causaram prejuízo à Câmara de R$ 25,5 milhões bancando viagens para outras pessoas, segundo a Procuradoria Regional da República, responsável pela denúncia. Em valores atualizados, os gastos supostamente irregulares poderiam chegar a R$ 42 milhões.
Ranking
Entre os já denunciados ao TRF-1 que mais distribuíram passagens para terceiros está Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), ex-ministro dos governos Dilma Rousseff e Michel Temer. Alves, segundo a investigação, emitiu 306 bilhetes em benefício de terceiros ao longo de dois anos – média aproximada de uma passagem a cada dois dias. O custo total para o gabinete de Alves foi de R$ 208,8 mil. Em valores corrigidos, o gasto chegaria hoje a R$ 343,3 mil.
Alves ocupa o décimo lugar no ranking dos que mais gastaram com passagens, segundo o levantamento do Ministério Público Federal. Já a ex-deputada Luciana Genro, candidata derrotada à Prefeitura de Porto Alegre neste ano, teria emitido com sua cota 233 bilhetes aéreos em nome de outras pessoas. O custo para o gabinete dela foi de R$ 199,4 mil (ou R$ 319,8 mil em valores atuais).
A investigação da “farra das passagens” começou em 2006, voltada a gabinetes de deputados que estariam vendendo bilhetes da cota parlamentar a empresas de turismo. A apuração se expandiu e veio a público em 2009. Inicialmente, o trabalho foi dificultado porque a Câmara não tinha registros das passagens aéreas emitidas. Foi preciso que as companhias Gol e TAM fornecessem a relação completa de bilhetes emitidos para terceiros por solicitação de deputados - cerca de 112 mil registros.

 

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