Quem levou mais pessoas às ruas desde 2022, direita ou esquerda?
Mais de 80 mil pessoas estiveram em Rio e em São Paulo para se manifestar contra a PEC da Blindagem e a proposta de anistia
Neste domingo, mais de 80 mil pessoas foram às ruas no Rio e em São Paulo para se manifestar contra a PEC da Blindagem e a proposta de anistia a condenados pela tentativa de golpe. Dados do Monitor do Debate Político indicam que os números de manifestantes é similar ao das últimas manifestações bolsonaristas. Abaixo, veja uma série histórica que mostra quantas pessoas a esquerda e a direita levaram às ruas desde 2022:
Neste domingo, um levantamento do Monitor do Debate Político no Meio Digital, com base em imagens aéreas captadas no pico de cada manifestação, mostrou que os atos reuniram cerca de 42,3 mil pessoas na Avenida Paulista, em São Paulo, e 41,8 mil na praia de Copacabana, no Rio.
Cálculos feitos com a mesma metodologia apontam que, no histórico recente, o público somado nas duas capitais foi significativamente superior ao de outros atos organizados pela esquerda e movimentos sociais. A maior mobilização de aliados do governo até então, realizada em julho contra o tarifaço anunciado pelo governo dos EUA, havia reunido cerca de 15 mil pessoas na Paulista.
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Os atos de ontem ficaram no mesmo patamar de manifestações bolsonaristas recentes, que tinham pautas com ataques ao Judiciário e em defesa da anistia. Em São Paulo, manifestantes estenderam uma bandeira gigante do Brasil na Avenida Paulista, na tentativa de fazer um contraste com a imagem do bandeirão dos Estados Unidos usado por apoiadores de Bolsonaro no último 7 de setembro. Aquele ato, segundo o Monitor do Debate Político, reuniu 42,2 mil pessoas.
No Rio, o principal trio elétrico da manifestação foi reservado a artistas como Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Djavan, Paulinho da Viola e Geraldo Azevedo, que se apresentaram ao longo da tarde. A seleção musical incluiu músicas com protestos contra a classe política, como “Podres poderes” na voz de Caetano Veloso, “Brasil”, canção de Cazuza interpretada por Marina Sena, e ainda “Cálice”, um dos hinos contra a ditadura, entoado por Gil e Chico Buarque.
Em outras capitais, as manifestações contaram com artistas como o cantor Chico César, em Brasília, e o ator Wagner Moura e a cantora Daniela Mercury, que dividiram um trio elétrico em Salvador. Em discurso ao público, Moura ironizou a atuação do Congresso, que disse lhe dar “preguiça”, e exaltou a “democracia brasileira, que é exemplo para o mundo”.

