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Rachado entre aliados e opositores de Bolsonaro, PSL filia vereador e abre caminho para MBL

O deputado estadual Arthur do Val (Patriota)O deputado estadual Arthur do Val (Patriota) - Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados

O PSL vai filiar o vereador paulistano Rubinho Nunes e abrir caminho para que as demais figuras do MBL (Movimento Brasil Livre) migrem para a legenda.

As negociações para que todo o grupo integre o PSL giram em torno da candidatura do deputado estadual Arthur do Val (Patriota), o youtuber Mamãe Falei, ao Governo de São Paulo na eleição de 2022.

Como o MBL faz oposição ao presidente Jair Bolsonaro, a filiação pode aumentar o racha na legenda, que abriga desde o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) a parlamentares independentes ou contrários ao governo federal, como o próprio presidente da legenda em São Paulo, deputado federal Júnior Bozzella.



Rubinho está sem legenda desde que foi expulso do Patriota após criticar o senador Flávio Bolsonaro, que se filiou ao partido em 31 de maio, sinalizando que Boslonaro fará o mesmo caminho. "Eu não faço fileira com a família Boslonaro, com bandido, criminoso", disse Rubinho ao jornal Folha de S.Paulo, no último dia 11.

Vereador de primeiro mandato, Rubinho se tornou conhecido por ser advogado do MBL. O acordo é o de que ele será líder do PSL na Câmara Municipal.

"O partido me garantiu liberdade e independência total para atuar no mandato, fazer oposição sistemática contra a corrupção e os desmandos do governo Bolsonaro, além construir a candidatura do Arthur do Val para governador em 2022", disse.

A filiação de Flávio abriu um racha no Patriota, com duas alas disputando o controle da sigla judicialmente. O entendimento no MBL é o de que é insustentável seguir no Patriota caso o partido lance Bolsonaro à reeleição.

Por outro lado, a escolha do MBL pelo PSL leva em conta a avaliação de que dificilmente o presidente voltará para o partido que o abrigou em 2018. Hoje, no entanto, a maior parte da bancada federal do PSL ainda é fiel a Bolsonaro, e o partido é disputado por ter a segunda maior fatia do fundo eleitoral.

A filiação de Rubinho é tida como um primeiro passo. No PSL, a expectativa é a de que todo o MBL também se filie.
Arthur e o deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP) avaliam entrar no partido caso haja garantia da sigla de lançar o deputado estadual ao Palácio dos Bandeirantes.

Bozzella, que é vice-presidente nacional do PSL, dá sinais nesse sentido. O deputado federal afirma que Arthur é uma boa vitrine e "tem toda convergência" com o PSL, pois também defende pautas liberais.

"A gente ganha um vereador na capital e, consequentemente, partimos para um projeto macro de candidatura majoritária. Fortalecendo as bases e aquilo que é o propósito do partido, a construção de um projeto liberal e democrático, visando
consequentemente uma eleição substancial de deputados federais", diz Bozzella.

A ampliação do racha entre bolsonaristas e opositores no PSL, a partir da entrada do MBL, é minimizada. Os envolvidos nas negociações dizem esperar que os aliados do presidente deixem o partido para se filiarem na nova sigla que ele escolher. Para o MBL, o objetivo é expurgar os bolsonaristas.

Kim, por exemplo, só entraria no PSL na janela partidária, quando, em tese, os bolsonaristas já estariam fora. Da mesma forma, aliados de Arthur afirmam que ele não fará mudanças por enquanto e que não há decisões tomadas. O deputado estadual não quis dar declarações.

Segundo apuração da reportagem, Arthur avalia o cenário eleitoral do estado e estuda propostas de diversos partidos com o objetivo de ser candidato a governador. Ele não descarta permanecer no Patriota, caso Bolsonaro não integre a sigla.

O PSL tem a seu favor, com uma bancada robusta na Câmara dos Deputados, uma ampla fatia do fundo eleitoral e do tempo de TV. O fundo não foi utilizado pelo MBL nas últimas eleições, mas o espaço no horário nobre da TV e do rádio interessa a Arthur.

Na eleição de 2020 à Prefeitura de São Paulo, o youtuber surpreendeu e terminou em quinto lugar, com 9,78% dos votos válidos.

O PSL tinha um projeto de ter candidatura própria ao Governo de São Paulo, em 2022, e iria lançar o senador Major Olímpio (PSL-SP), que morreu em março de Covid-19. O plano B da sigla passou a ser incentivar a deputada estadual
Janaina Paschoal (PSL), mas ela já deixou claro que não topa a empreitada.

Dessa forma, o caminho para Arthur se abre no PSL, apesar de o partido abrigar, em São Paulo, boa parte da tropa de choque de Bolsonaro -além do filho Eduardo, os deputados federais Carla Zambelli e Luiz Philippe de Orleans e Bragança.

O cenário eleitoral para o Governo de São Paulo está fragmentado tanto na esquerda, com Fernando Haddad (PT) e Guilherme Boulos (PSOL), como na direita -com Rodrigo Garci (PSDB), Geraldo Alckmin (PSDB) e Márcio França (PSB). Os bolsonaristas também devem ter um representante, como os ministros Tarcísio de Freitas ou Ricardo Salles.

Na Câmara Municipal, o movimento já pode gerar tensão com o único vereador eleito pelo PSL, Rinaldi Digilio. Ele tem bandeiras conservadoras nos costumes, que não são encampadas automaticamente por todos os integrantes do MBL.

Digilio é autor, por exemplo, de um projeto que sugere estímulo à abstinência sexual de adolescentes como método contraceptivo. O vereador pretende propor uma versão nova do projeto, aprovado em primeiro turno, que institui o programa Escolhi Esperar -que deixou de ser votado em segunda após mobilização de grupos de esquerda na Câmara.
Nesta terça, a Câmara aprovou bônus aos servidores e, enquanto Rubinho foi contra, Digilio foi favorável.

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