Randolfe: "Se o Senado se sujeitar, é melhor fechar"

Senador define , em entrevista à Rádio Folha FM 96,7, movimento da Câmara como "molecagem"

Senador Randolfe RodriguesSenador Randolfe Rodrigues - Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Em meio ao impasse estabelecido no debate sobre a cessão onerosa, o líder da Oposição na Casa Alta, senador Randolfe Rodrigues, faz a seguinte advertência: "Se o Senado se sujeitar às vontades, ao achaque, por um lado, feito por parte da Câmara Federal, e às chantagens do senhor (Ministro da Economia) Paulo Guedes, é melhor fechar o Senado". Randolfe repisa: "O Senado não pode se sujeitar nem a um nem a outro". Com uma articulação da Câmara em curso para mudar os critérios de divisão dos recursos do pré-sal destinados a Estados e municípios, o senador Cid Gomes chegou a acusar, essa semana, o líder do PP na Câmara, Arthur Lira, de "achacador". Randolfe assina embaixo das palavras de Cid e define, de quebra, o movimento da Câmara como "molecagem". "Concordo com cada letra que meu companheiro de bloco de oposição, Cid Gomes, usou para definir os procedimentos desse parlamentar. O que ocorreu em relação à cessão onerosa não tem outro nome a não ser molecagem", reforça.

As regras para a divisão dos recursos estão em uma PEC aprovada pelo Senado, mas que ainda não foi analisada pela Câmara. Só que o governo passou a negociar o direcionamento de recursos do leilão do excedente da cessão onerosa para emendas parlamentares. "Ele (Paulo Guedes) não pode utilizar a cessão onerosa para chantagear o Senado. Em uma democracia, o parlamento é autônomo e soberano. Ele não tem o direito de reclamar de decisões dos representantes do povo", critica Randolfe e endurece: "Ele (Guedes) quer tomar decisões em nome do povo brasileiro, ele vá para urna e tenha voto". Na última segunda-feira, governadores reuniram-se, em Brasília, com Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia para pedir que o texto fosse aprovado como saiu do Senado. "Acho que o Senado não tem que se sujeitar a isso. Tem que tocar agenda do pacto e exigir, quanto antes, a promulgação da cessão onerosa conforme aprovado no texto de Cid Gomes com a repartição dos recursos da cessão onerosa para Estados e municípios, conforme foi estabelecido". Com o megaleilão da chamada cessão onerosa, previsto para 6 de novembro, o governo espera arrecadar R$ 106,5 bilhões.

 

Manda quem pode
Randolfe Rodrigues ressalta que instrumentos não faltam para o Senado resistir. "Basta não aceitar, aprovar nada que venha da Câmara, não fazer avançar nenhuma agenda, enquanto essas questões do pacto federativo não sejam resolvidas", propõe.
Nome aos bois > Um dos que aturam "nessa prática de molecagem", diz Randolfe, "foi o atual ministro da Economia (Paulo Guedes), que tem a arrogância de dizer, em seguida, que cada bilhão que foi tirado para o pobre receber abono salarial tem que ser descontado da cessão onerosa".
Doce... > Presidente da Amupe, José Patriota ficou bem atento à fala do ministro Luiz Eduardo Ramos, na última quinta, sobre a cessão onerosa: "O ministro disse que esse doce vira veneno".
...veneno > Patriota fala das propostas que surgiram de alteração dos critérios depois que o Senado aprovou a PEC. E dispara: "Passar de 15% para 20% é para tapear os bestas. A gente prefere os 15%, senão nem 15% nem 20%".
Manobras > O presidente da Amupe ainda assinala: "Falam em tirar 5% dos estados 5% da gente e botar para emendas. Mexeu na proposta do Senado, atrapalha tudo. Tudo isso são manobras".
Deixa assim > A preocupação de Patriota é que a tramitação seja cumprida a tempo de sair o pagamento. "É preciso que a Câmara aprove do jeito que está", defende. O Senado aprovou com 15% para Estados (Via FPE) e 15% para municípios (Via FPM). 

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