Reação à judicialização também aproxima PT e PSB

Reaproximação entre PT e PSB independe de julgamento, defende Luciana

Lula discursa antes de seu julgamento Lula discursa antes de seu julgamento  - Foto: Jefferson Bernardes / AFP

Presidente nacional do PCdoB, Luciana Santos tem definido o projeto presidencial do ex-presidente Lula como um "boeing estacionado no aeroporto". A comparação se dá porque, na leitura dela, todas as outras candidaturas ficam esperando para saber se esse "boeing levanta voo ou não levanta". Ontem, na véspera do julgamento de Lula pelo TRF4, várias siglas soltaram notas em solidariedade ao petista e uma delas foi o PSB. Em Pernambuco, PSB e PT ensaiam uma reaproximação rumo às urnas e, aos olhos de alguns integrantes da Frente Popular, uma eventual condenação do ex-presidente pode acabar catalisando essa composição. "Porque o tempo de TV do PT interessa de toda forma ao PSB e os petistas podem acabar baixando a guarda, nesse caso", observa um governista em reserva. Luciana Santos, que participou do ato ontem em Porto Alegre, avalia que eventual recomposição do PSB com o PT independe do resultado do julgamento. O que levou, diz ela, à retomada do diálogo entre PSB e PT foi a radicalização política e ideológica que empurrou o PSB a votar contra as reformas do governo Michel Temer. Na nota emitida ontem, o PSB destacou a "atipicidade na velocidade com que tramitou o processo em segunda instância". O texto diz considera que o tribunal "mais adequado em uma democracia é o voto popular, em eleições livres". Para muitos, o julgamento de Lula acabou virando a demonstração mais clara da judicialização da política, à qual os políticos vêm reagindo. "Tivemos excessos nessa área e acho que o momento, agora, é bom para arrefecer ", pontua o ex-prefeito João Paulo. E prossegue: "O PT tem essa definição de bancar a candidatura de Lula e acho que, a partir dessa crise, está havendo uma certa unificação dos partidos de esquerda e de centro-esquerda". Em Pernambuco, além do PSB, o senador Armando Monteiro Neto também emitiu uma nota. O PTB soltou outra.

 

Em casa com Dilma
Ainda na manhã de ontem, em Porto Alegre, Luciana Santos e o presidente de honra do PCdoB, Renato Rabelo, estiveram com a ex-presidente Dilma Rousseff na casa dela. A conversa deu-se sobre os desdobramentos do julgamento de hoje no TRF4.

Solidariedade - O ex-prefeito do Recife, João Paulo, passou pela vigília, ontem, no Recife, por volta das 16h, saiu para compromisso e voltou para lá. Quem também passou por lá foi André Campos, que, hoje, integra as hostes socialistas, mas é ex-petista.

Não creio - "Guardo simpatia por Lula e acho que ele está sendo injustiçado. Erros aconteceram, mas não estou convencido de que, nesse caso do apartamento, ele é culpado. Acho que é uma perseguição à figura de Lula", avalia André Campos.

Lembrança -
André, então, lembra do irmão, já falecido, Carlos Wilson. "Antes da eleição de Dilma, Cali me disse: 'Pode se preparar que, se Dilma perder a eleição, esses caras vão querer perseguir e prender Lula'", recorda o presidente da Perpart.

Na linha - O ex-ministro Aldo Rebelo, que já colocou seu nome para concorrer ao Planalto pelo PSB, telefonou, ontem, para o presidenciável do PDT, Ciro Gomes, enquanto o pedetista fazia o caminho rumo ao Palácio das Princesas. Aldo pediu para conversar com o pedetista. O diálogo vai se ampliando. A Paulo Câmara, Ciro fez "apelo" pelo apoio do PSB.

Convidado - Paulo Câmara convidou Ciro Gomes para participar do congresso da sigla em março. O convite foi visto pelos pedetistas como uma possibilidade de "estreitar os laços

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