Regime Monárquico e a instauração da República, em 1889

Regime Monárquico e a instauração da República, em 1889

Tadeu: "Tempos não são para privilegiados". Alteração atingiria PEC do ex-senador Álvaro DiasTadeu: "Tempos não são para privilegiados". Alteração atingiria PEC do ex-senador Álvaro Dias - Foto: Fábio Rodrigues POzzebom / Agência Brasil

O poder dos grupos familiares na política brasileira é um fenômeno cultural com base nas nossas raízes históricas. A atuação dos clãs permeia a construção do País, se adaptando à passagem de tempo e às mudanças sociais trazidas com ele. Uma influência que deixa suas marcas no Brasil Colônia, se legitima no Brasil Império e República Velha, tenta dar sobrevida aos coronéis e fazendeiros no início do século passado e se moderniza e ganha novas formas nos tempos atuais.

A chegada dos portugueses no Brasil, durante o período colonial, e o poder da Família Real, criou as raízes da influência das famílias na política brasileira, especialmente, no Nordeste. “É um fenômeno cultural, mas encontrado com muito mais freqüência e força no Nordeste. Quando o Brasil foi Colônia, toda a aristocracia estava aqui, então, todo o peso do nome familiar da honra, da defesa dos interesses da família, sempre foi forte aqui, e isso se reproduz nas famílias até hoje”, afirma o cientista político Vannuccio Pimentel.

Em um País de dimensão continental como o Brasil com suas dificuldades de controlar a administração, os Poderes constituídos tiveram a tradição de legitimar as oligarquias locais para garantir o controle do Estado. No século XIX, o Estado Imperial delegou às aristocracias locais a prerrogativa de administrar os rincões do País.

A prática persistiu na passagem para a República. O então presidente Campos Sales estabeleceu a política do “Pacto Oligárquico”. A ordem consistia em uma legitimação recíproca, na qual o Estado reconhecia o poder desses grupos nas regiões mais afastada e, em troca, eles reforçavam o poder do Governo em todo o território nacional. Segundo Vanuccio, este período consolida o controle das oligarquias no sistema político brasileiro. Esses grupos marcados eram pela influência familiar, que se reproduzia na máquina pública.

Com a Constituição de 1891, a manutenção do poder oligárquico persistiu sob novas formas nas eleições diretas. No início do século XX, a força destes grupos continua firme, principalmente, no interior. É nas regiões mais afastadas que residia e votava a maioria do eleitorado brasileiro. Uma realidade de condições sociais e de vida precárias que eram mantidas pelo poder dos chefes locais e fazendeiros que, muitas vezes, utilizavam a população como massa de manobra. Até mesmo as eleições dependiam do poder desses grupos. Eram eles que custeavam as despesas das eleições oferecendo documentos, transporte, alojamento, refeições e até mesmo vestimentas para a população no dia do pleito. Tudo custeado pelos mentores políticos com intuito de legitimar sua autoridade nas urnas.

Esta realidade é retratada pelo escritor Victor Nunes Leal na obra Coronelismo, Enxada e Voto, onde este fenômeno é retratado e dissecado com maestria. Segundo o autor, a manifestação é uma troca de proveitos entre o poder público e a decadente influência dos chefes locais, senhores de terra. Uma influência baseada na troca de favores pessoais de todos os tipos: como indicação para cargos públicos e até mesmo oferecimento de pão e água para a população.

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