Saída de Lewandowski acelera reforma ministerial a ser realizada por Lula em 2026
Planalto busca reorganizar a Esplanada dos Ministérios diante do cenário eleitoral, recompor alianças partidárias e fortalecer a coordenação política do governo em um ano decisivo
A reforma ministerial que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende promover em 2026 ganhou força com a saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A mudança abriu uma nova rodada de articulações no Palácio do Planalto, que busca reorganizar a Esplanada dos Ministérios diante do cenário eleitoral, recompor alianças partidárias e fortalecer a coordenação política do governo em um ano decisivo.
A escolha do novo ministro da Justiça ocorre em meio a um debate mais amplo sobre o perfil desejado para a pasta. Nos bastidores do governo e do meio jurídico, ao menos seis nomes são citados como possíveis sucessores, reunindo desde quadros técnicos ligados à segurança pública até figuras políticas com trajetória consolidada no PT e trânsito junto ao Congresso. A avaliação envolve não apenas formação jurídica, mas também capacidade de articulação institucional.
Entre os mais lembrados estão o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, visto como um nome técnico com conhecimento da estrutura federal de segurança, e o ex-ministro Tarso Genro, histórico dirigente petista e aliado de Lula. Também figuram nas discussões Marcos Aurélio de Carvalho, presidente do grupo Prerrogativas, Manoel Carlos de Almeida Neto, atual secretário-executivo do ministério, além de Vinícius de Carvalho, da Controladoria-Geral da União, e Wellington César Lima e Silva, advogado-geral da Petrobras.
A saída de Lewandowski, no entanto, é apenas uma das mudanças previstas. A expectativa no Planalto é de que cerca de 24 ministros deixem seus cargos para disputar as eleições de 2026. Entre eles estão titulares de pastas estratégicas, como Fernando Haddad, da Fazenda, e Rui Costa, da Casa Civil. Costa deve concorrer ao Senado, enquanto a tendência é que a secretaria-executiva da Casa Civil, ocupada por Miriam Belchior, assuma o comando do ministério.
No núcleo político do governo, outras alterações também são esperadas. Gleisi Hoffmann deve deixar a Secretaria de Relações Institucionais para buscar a reeleição como deputada federal, abrindo espaço para o secretário Marcelo Costa. Já o ministro da Comunicação, Sidônio Palmeira, tende a sair para atuar diretamente na estratégia de imagem de Lula durante a campanha. O futuro de Haddad ainda é alvo de debates, com a possibilidade de ele coordenar o programa presidencial, apesar das pressões para que dispute um cargo eletivo.
Além desses, ministros como Camilo Santana, Renan Filho, Simone Tebet, Marina Silva, Silvio Costa Filho e Alexandre Silveira devem deixar o governo para concorrer nas urnas. Por outro lado, Lula pretende manter nomes considerados centrais para a gestão e a estabilidade administrativa, como Alexandre Padilha, Mauro Vieira, Esther Dweck, Vinícius de Carvalho e Luiz Marinho, que já sinalizaram que permanecerão no cargo até o fim do mandato. A reforma, portanto, tende a redesenhar profundamente a Esplanada, equilibrando interesses eleitorais e a continuidade do governo.

