Dom, 08 de Fevereiro

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CPI da Covid

Santana teria visitado MS como secretário da Anvisa mesmo depois de exonerado

Empresário José Ricardo Santana, em depoimento à CPI da PandemiaEmpresário José Ricardo Santana, em depoimento à CPI da Pandemia - Foto: Jefferson Rudy

José Ricardo Santana, que depõe na CPI da Covid, no Senado, nesta quinta-feira (26), após exonerado da Anvisa, foi convidado para fazer parte da equipe do Ministério da Saúde pelo ex-diretor de logística Roberto Ferreira Dias. Senadores apontaram que a informação, confirmada pelo depoente, mostra contradições com o depoimento de Roberto Dias à CPI, que disse se lembrar de Santana apenas da época da Anvisa.

Em resposta a Omar Aziz (PSD-AM), Santana disse ter saído da Anvisa por "vontade própria". O depoente admitiu que trabalhou por um período no ministério mesmo sem nomeação e sem salário. Ele também não soube precisar a remuneração que recebia na Anvisa e quando deixou o Ministério da Saúde. Para os senadores, deixar um trabalho remunerado para ficar sem salário em tempos de crise reforça a tese de que ele era um lobista dentro da pasta. 

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) afirmou que o nome de Ricardo Santana está registrado como secretário da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na cópia do registro da portaria de entrada do Ministério da Saúde em 2 de junho de 2020. O depoente se recusou a responder se havia se apresentado como funcionário da Anvisa mesmo depois de ter sido exonerado.

Após a insistência de Simone Tebet (MDB-MS) em perguntar em que data José Ricardo Santana deixou o Ministério da Saúde, informação importante para estabelecer a cronologia da negociação de vacinas, o depoente disse lembrar-se apenas da data em que preencheu os formulários para assumir um cargo no ministério, 25 de março.

"Não estava trabalhando sem receber?", perguntou Simone.

"Sim, senhora, aguardando a nomeação. Pelo que eu me lembro, acredito que tenha sido umas cinco semanas a partir da data em que foi dada entrada [nos formulários]. A minha nomeação não foi efetivada e eu não tinha motivos para ficar", respondeu Santana.
 

Jantar da propina
Ricardo Santana disse aos senadores não ter presenciado nenhum pedido de vantagem indevida durante jantar realizado, em 25 de fevereiro, no restaurante Vasto em Brasília. Segundo ele, foi um encontro social marcado com o então diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias. Pouco tempo depois, chegaram à mesa o cabo da PM Luiz Dominguetti Pereira e o militar Marcelo Blanco.  Sem se lembrar de detalhes, a testemunha disse que eles "conversaram sobre amenidades" e limitou-se a esclarecer que Dominguetti e Blanco permaneceram cerca de 20 minutos no local.  

Viagem à Índia
Questionado por Renan Calheiros (MDB-AL)  sobre as viagens à Índia pagas pela Precisa, Santana informou que ficaria em silêncio. Omar Aziz (PSD-AM) observou que a pergunta em si não o incrimina. Segundo Renan, nas informações iniciais encaminhadas pela Embaixada do Brasil não havia o nome de José Ricardo, mas após insistência da CPI, uma nova lista, desta vez com o nome do depoente, foi encaminhada. Francisco Maximiano e outras pessoas ligadas à Precisa viajaram juntas, de acordo com informações apresentadas pelo relator. 

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