Se Moro segurava Bolsonaro, o presidente, agora, segura Moro

Há quem avalie que o tamanho de Moro começou a ser alvo de fogo de munturo bem antes

Presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Justiça, Sergio MoroPresidente Jair Bolsonaro e o ministro da Justiça, Sergio Moro - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Em meio às nove horas na CCJ do Senado ontem, o ministro Sérgio Moro chegou a cobrar que o site The Intercept Brasil apresente, de uma vez, a íntegra do material, que envolve a troca de mensagens entre ele e o procurador Deltan Dallagnol. No Congresso, parlamentares identificam uma desidratação "sem prazo de validade", diante da divulgação a conta-gotas. Por outro lado, há quem avalie que o tamanho de Moro no governo começou a ser alvo de fogo de munturo bem antes que os diálogos em questão começassem a ser divulgados. Ainda em fevereiro, Moro enviou o pacote anticrime para ser apreciado pelos deputados. No entanto, mesmo a reforma tributária, que chegou depois, já passou na CCJ. Há quem pontue que, fosse o pacote anticrime uma prioridade do governo, não teria ido para o final da fila. Outro episódio soou como uma derrota do ministro: o Coaf acabou transferido para o Ministério da Economia, em meio a um discurso do governo de que a permanência do órgão na Justiça seria fundamental para o combate à corrupção. Moro ainda foi colocado na condição de se explicar sobre eventual acordo com o presidente para que fosse indicado a ministro do STF.

Ontem, na comissão, o tema voltou à tona e Moro negou, mais uma vez, que houvesse esse compromisso prévio: "Essa história de vaga no Supremo é uma fantasia. Nunca me prometeu nada". Em política, diz a máxima, tudo que a pessoa precisa explicar não é bom. O ministro foi ainda instado a revogar a nomeação de Ilona Szabó para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. Em entrevista ao programa Conversa com Bial, questionado sobre isso, Moro admitira: "Quem saiu mais prejudicado fui eu". Após o vazamento das conversas, Bolsonaro defendeu o legado do ministro, mas pontuou que não existe confiança 100%: "Meu pai dizia para mim:´Confie 100% só em mim e minha mãe´". Em reserva, um deputado define assim: ​"Se ele segurava Bolsonaro, é Bolsonaro que está segurando ele agora".

 

Senadores a bordo

Na condição de líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho fez uma defesa do ministro Sérgio Moro ontem, durante audiência na CCJ. A fala foi breve. Ontem mesmo, FBC desembarcou em Petrolina acompanhado de quatro senadores, que foram conferir o São João da cidade, governada por Miguel Coelho.

Benção > Além de Davi Alcolumbre, e do presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, Miguel Coelho, recebeu os senadores Marcos Rogério, Daniela Ribeiro e Weverton Rocha. Ainda essa semana, Abraham Weintraub passou pela cidade.
Palavra do... > Presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo pronunciou-se sobre os supostos diálogos tornados públicos pelo Intercept que envolvem o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Afirma que "já eram de conhecimento público e, sem qualquer tipo de comprovação, nunca foram da jurisdição de Sergio Moro e estariam eventualmente prescritos".
...presidente > "Já as interceptações telefônicas criminosas, devem ser rechaçadas, sejam sofridas por autoridade pública ou por um cidadão comum. A captação ilegal fere os princípios das garantias individuais que devem ser um dogma de proteção à cidadania", defende o dirigente.
Rolo > Renato Antunes tem reforçado as queixas em relação ao que define como “política do rolo compressor da Prefeitura do Recife”. De acordo com o parlamentar, virou rotina a gestão enviar, em caráter de urgência, projetos importantes. “Esperam a aproximação do recesso para, mais uma vez, demonstrar a falta de respeito com os vereadores da cidade”, critica Renato, que é líder da Oposição.

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