SEGURANÇA PRESIDENCIAL

Segurança de Lula: após Rui Costa garantir GSI no comando, Dino diz que decisão ainda não foi tomada

Lula tem cinco dias para bater o martelo sobre quem comandará sua segurança pessoal

Flávio DinoFlávio Dino - Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O ministro da Justiça, Flavio Dino, disse que a decisão do modelo sobre a segurança presidencial ainda será tomada e que estão sendo discutidas várias alternativas. A afirmação ocorre após o ministro da Casa Civil, Rui Costa, garantir que o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) ficaria com o comando da proteção de Lula e do vice, Geraldo Alckmin.

Lula tem cinco dias para bater o martelo sobre quem comandará sua segurança pessoal. Desde janeiro o trabalho é coordenado pela Polícia Federal através da Secretaria Extraordinária de Segurança Imediata. A estrutura tem prazo para funcionar até 30 de junho.

Na última terça-feira, Costa falou a jornalistas que a proteção do presidente ficaria com o GSI. Segundo ele, seria adotado um modelo híbrido, que poderia ter policiais federais, mas com o comando militar.

— O GSI quem vai fazer (a segurança presidencial). O presidente terá a liberdade de convidar quem ele entender que deve compor, independente de ser polícia federal, policial militar, ou membros das Forças Armadas. Será montado um modelo híbrido, mas sob coordenação do GSI — disse.

Se confirmada, a decisão representa uma derrota para a Polícia Federal. Nos bastidores do governo, PF e GSI disputam o comando da segurança presidencial.

Atualmente, as duas instituições dividem as atribuições da proteção de Lula e Alckmin. A proteção imediata é comandada pela PF, enquanto a segurança aproximada e afastada — em eventos e viagens — ficam com o GSI.

Em uma coletiva de imprensa na quinta-feira ao lado do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, Dino contrariou a afirmação de Rui Costa, disse que o debate estava em andamento e defendeu o trabalho que a PF vem desempenhando proteção presidencial desde janeiro:

— Em relação a segurança presidencial nós temos o debate em andamento. É uma decisão que o presidente Lula vai tomar na próxima semana, uma vez que nós temos o esgotamento do prazo da secretaria extraordinária que hoje vigora. O presidente está colhendo opiniões, é claro que reconhecemos a importância do GSI mas reconhecemos a atuação da Polícia Federal que tem sido muito elogiada e reconhecida e que corresponde em larga medidas a modelos internacionais. Vamos apresentar isso e é uma decisão que o presidente Lula irá tomar.

Integrantes do governo que defendem a permanência da PF entenderam que Rui Costa se antecipou a decisão de Lula ao afirmar publicamente que o GSI será o responsável pela segurança, também enxergam que a fala de Costa demonstra proximidade entre ele e o ministro do GSI, general Marcos Amaro. Internamente, Amaro passou a sugerir um modelo híbrido, onde agentes da PF que já fazem a proteção de Lula e Geraldo Alckmin sejam absorvidos pela estrutura do órgão, com comando militar. Integrantes da cúpula da Polícia Federal, no entanto, rejeitam a ideia de estarem subordinados ao comando militar.

A Casa Civil afirmou que o assunto ainda será tratado com o presidente. Aliados de Costa afirmam que o ministro deu essa afirmação com a sinalização que recebeu do modelo provável que será adotado. O ruído gerado entre dois dos ministros mais fortes do governo fez com que Dino fosse ao Twitter nesta segunda-feira afirmar que não há "rebeliões" com Rui Costa sobre as discussões que envolvem o assunto e que a decisão de Lula será cumprida com disciplina:

— Não há espaço para rebeliões em razão do debate sobre modelos para segurança presidencial. Tenho dialogado com o ministro Rui sobre várias alternativas. E a decisão do presidente Lula terá cumprimento sereno e imediato, com absoluta disciplina.

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