Senadores negociam reforma trabalhista

O PSDB defendeu mudanças no projeto, como a manutenção da contribuição sindical. Já Renan pediu um “pacote de bondades”

Aécio Neves, senadorAécio Neves, senador - Foto: Valter Caampanato/Agência Brasil

Principal partido aliado do governo Michel Temer, o PSDB defendeu, ontem, flexibilizações pontuais na reforma trabalhista, mas a manutenção da contribuição sindical optativa. Em reunião com o presidente, no Palácio do Planalto, a bancada de senadores tucanos ressaltou que pretende apresentar ao Palácio do Planalto sugestões de alterações no texto enviado pela Câmara Federal.

A ideia é que elas sejam contempladas em medida provisória preparada pelo presidente com salvaguardas aos trabalhadores. O esforço é, assim, evitar que reivindicações da base aliada modifiquem o texto da iniciativa, obrigando o seu retorno à Câmara dos Deputados. “A nossa intenção é não fazer modificações no texto que veio da Câmara dos Deputados, para que não tenha a necessidade de seu retorno, mas apresentarmos, na justificativa, sugestões pontuais de algumas modificações”, disse o senador tucano Aécio Neves.

O relator da proposta na Comissão de Assuntos Econômicos e da Comissão de Assuntos Sociais, Ricardo Ferraço (PSDB-ES), citou entre as alterações a não exigência de laudo médico a grávidas e lactantes em ambiente de insalubridade, a melhor regulamentação da jornada intermitente e a mudança no intervalo para a mulher entre a jornada de trabalho e a hora extra.

Ele também antecipou que manterá nos seus relatórios a contribuição sindical optativa, incluída pela Câmara dos Deputados, e disse que Temer também demonstrou ser favorável à sua manutenção. Segundo ele, a permanência da contribuição sindical é “central”, “essencial” e “inegociável”.

De acordo com Aécio, o combinado com Temer é que as três comissões parlamentares pelas quais a reforma trabalhista tramitará, incluindo também a Comissão de Constituição e Justiça, apresentem um mesmo relatório. A expectativa é que a proposta vá a plenário no início de junho. Com esse objetivo, o presidente se reunirá hoje com os relatores das propostas, no Palácio do Planalto.

Renan Calheiros
Um grupo de senadores do PMDB próximos a Renan Calheiros, líder do partido no Senado, sugeriu a Temer o lançamento de um "pacote de bondades" como contrapartida ao apoio às reformas trabalhista e previdenciária. A sugestão foi levada ao presidente na semana passada, em um jantar no Palácio do Jaburu. Entre as medidas sugeridas está a isenção do Imposto de Renda para ganhos de até cinco vezes o salário mínimo e aumento da oferta de microcrédito por bancos públicos. Temer, segundo pessoas próximas, está disposto a dialogar sobre o assunto com Renan.

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