"Será um tempo duro para o Recife", diz Geraldo Julio

Nesta entrevista para a coluna digital "No Cafe­zinho", o gestor fala da sua vitória nas eleições deste ano e os desafios para a próxima administração.

Geraldo JulioGeraldo Julio - Foto: Flavio Japa/Folha de Pernambuco

Na véspera de tomar posse do seu segundo mandato à frente da Prefeitura do Recife, o prefeito Geraldo Julio (PSB) prepara a estrutura municipal para um cenário de dificuldades a partir de 2017. Uma situação bastante diferente de quando assumiu, em 2013, e teve a oportunidade de anunciar, logo nos primeiros dias, a construção do Hospital da Mulher.

Dessa vez, ele terá que cumprir promessas como a construção do Hospital do Idoso e os compromissos pendentes do primeiro governo em meio à dificuldades. Para isso, anunciou uma reforma administrativa com corte de nove secretarias e redução de R$ 81 milhões em custeio. Nesta entrevista para a coluna digital "No Cafe­zinho", o gestor fala da sua vitória nas eleições deste ano e os desafios para a próxima administração.

Como recebeu a vitória nas eleições deste ano, mas no segundo turno?
Foi um momento importante da minha vida. Pela primeira vez, um candidato no Recife tem mais de meio milhão de votos. Eu tenho plena consciência da minha responsabilidade. É hora de um desafio muito grande, o Brasil está vivendo um processo muito difícil e a população está pagando um preço muito alto. A gente fecha aí um ciclo de quatro anos que iniciou quando o Brasil crescia muito, mas, antes da metade do governo, o Brasil entrou numa crise muito forte. Estamos fechando o ciclo e preparando o governo para um cenário diferente, vai ser um tempo duro para Recife e estamos nos preparando para enfrentar esses quatro anos e defender o povo das dificuldades.

O que podemos esperar do que foi prometido no primeiro mandato, mas não foi cumprido?
Nossa grande prioridade será vencer o desafio da crise e garantir os serviços. Estamos vendo uma discussão no Brasil inteiro que é a discussão sobre a redução do tamanho do Estado. Do jeito que está sendo colocado, significa menos combate à desigualdade. A desigualdade no Brasil é muito grande entre as regiões e classes sociais, não está na hora de diminuir os serviços. Conseguimos reduzir R$ 313 milhões no custeio da prefeitura entre 2014 e 2016, sem reduzir os serviços e abrindo novas creches, Upinhas, Compaz, Hospital da Mulher e outras obras. É importante dizer que não estamos fazendo no modelo que está sendo discutido em Brasília. Estamos reduzindo o custeio, mas preservando o serviço e, em muitos lugares, melhorando.
O modelo que o senhor fala é a PEC do Teto de Gastos?
O modelo que vem sendo discutido está se fazendo na conta matemática, buscando um equilíbrio fiscal de olho. Está sendo feito apenas na conta matemática e se esquecendo de olhar pelo povo que está do lado de cá. Acabou de sair resultado das contas públicas do Brasil com um déficit de R$ 39 bilhões. A união gerou déficit e os estados e municípios geraram um superávit de R$ 800 milhões. Isso quer dizer que o déficit das contas públicas brasileiras está lá em Brasília. Tem estados e municípios com dificuldades para pagar a folha e fechar as contas, mas o problema mesmo está em Brasília. É preciso fazer uma discussão sobre o pacto federativo, a reforma da previdência e trabalhista e o limite de gastos tem que ser discutido.

O que achou do pagamento da repatriação das multas ter ficado para o dia 30?
O correto era esse dinheiro ter chegado ainda em novembro. Era claro o direito que os governos municipais e estaduais tinham sobre a repartição desse recurso. Acho que o Governo Federal tinha que ter distribuído imediatamente. Acabou sendo um desgaste desnecessário. Para os prefeitos que estão encerrando o mandato e não vão governar no próximo ano, há quase um desespero para receber esse recurso porque a situação do Brasil é muito dura, tem gente sem pagar a folha.
Seus opositores questionam onde está a economia na sua reforma administrativa?
Nós fizemos a conta, dá R$ 81 milhões. Uma parcela expressiva disso é a transformação das empresas em autarquias porque as empresas nessa personalidade jurídica pagarão menos tributos. Com a redução das secretarias, haverá uma redução proporcional no número de cargos comissionados. Essa estrutura das secretarias está em processo de elaboração. Vamos começar a divulgar a estrutura de cada secretaria durante o mês de janeiro, publicado todos esses decretos. Com a regulamentação de cada secretaria e as estruturas, nós vamos bater a meta de R$ 81 milhões. A meta será administrada pelo núcleo do governo para que a gente alcance isso. É uma questão de sobrevivência.
Nesse cenário de crise, como vai construir o Hospital do Idoso e cumprir suas promessas de campanha?
Eu governei na crise, mais da metade do meu governo foi na crise e durante a gestão a gente fez a Via Mangue, Compaz do Cordeiro, Hospital da Mulher e inaugurou creches. Agora, a gente está se estruturando para governar na crise porque a gente não sabe quando vai voltar a ter crescimento econômico. Mas a gente tem esse objetivo, construir o Hospital do Idoso, que é menor que o Hospital da Mulher, mas tem sua necessidade.

 

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