GOVERNO FEDERAL

Sob pressão no cargo, ministra do Turismo evita assegurar permanência: "Vivo um dia de cada vez"

Daniela Carneiro vai participar de reunião ministerial na quinta; em reunião com Lula, na terça, presidente disse a ela que continuidade é difícil

Daniela CarneiroDaniela Carneiro - Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados

A ministra do Turismo, Daniela Carneiro, evitou cravar a permanência no cargo, nesta quarta-feira. Questionada se continuará na pasta, a ministra disse que não comentaria “achismos” ao chegar ao Senado para uma audiência da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo.

Em relação à possível queda nesta quinta, quando terá nova reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Daniela disse que "vive um dia de cada vez".

— Essa questão de achismo é algo complicado, mas estou aqui firme e, em qualquer quadro, seguirei trabalhando pelo Brasil — afirmou.

Questionada em relação à possibilidade de aceitar outro cargo no governo para deixar o ministério de maneira "honrosa", Daniela negou qualquer negociação.

— Eu vou participar da reunião ministerial de amanhã. Não tenho nenhuma negociação por cargos, sigo servindo ao Brasil. Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos. Eu vivo um dia de cada vez — concluiu.

Na mais nova queda de braço entre caciques da Câmara e o Palácio do Planalto, representantes do Centrão se aproveitaram da instabilidade da ministra do Turismo, Daniela Carneiro (União-RJ), para aumentar a pressão sobre o governo. Eles sinalizaram agora que não se contentarão apenas com a provável mudança no comando da pasta e que pretendem expandir o controle para órgãos do segundo escalão, como Embratur e Correios, hoje na mão de petistas. A nova ambição não agrada a cúpula do Executivo.

 

Nesta terça-feira, após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a titular da cadeira que é alvo da cobiça de correligionários ganhou uma sobrevida no posto, mas foi avisada de que a falta de apoio dentro do seu próprio partido torna a permanência dela na Esplanada praticamente insustentável.

A situação de Daniela se tornou crítica depois que congressistas da legenda dela elaboraram um abaixo-assinado para pedir a substituição da correligionária por um outro parlamentar da sigla, o deputado Celso Sabino (União-PA). Para além das cadeiras ministeriais, o União Brasil mira outros cargos.

De acordo com a colunista Malu Gaspar, do GLOBO, o senador Davi Alcolumbre (União-AP), que apadrinhou as indicações dos ministros Waldez Góes (Integração Nacional) e Juscelino Filho (Comunicações), ambos do União, e o líder do partido na Câmara, Elmar Nascimento (BA), reivindicaram ao Planalto “tratamento isonômico” em relação a outros partidos que ocupam ministérios. A queixa é que MDB e PSD, que também têm cadeiras no primeiro escalão, conseguiram indicar as chefias de órgãos subordinados às pastas que comandam.

Elmar e Alcolumbre reclamam que a Embratur, por exemplo, ligada ao Turismo, é administrada pelo ex-deputado Marcelo Freixo (PT). Os Correios, que são subordinados à Comunicação, estão sob o comando do advogado Fabiano Silva dos Santos, ligado ao PT. No caso da Integração, o Banco do Nordeste é presidido por Paulo Câmara (ex-PSB), e o Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs) é controlado pelo Avante.

Ontem, Elmar sinalizou que a sigla vai pleitear mais espaço se a troca no Turismo for efetivada, o que interlocutores do Planalto acreditam estar próximo de ocorrer. O preferido da bancada da legenda para assumir o posto é Celso Sabino.

— Eu preciso entender como é o funcionamento do ministério, o que cabe, e a gente discutir com o governo. No início, quando fiz a interlocução com o presidente sobre isso, a perspectiva era ter ministério completo, com todas as posições, até porque é um ministério pequeno — afirmou Elmar.

Em conversa ontem com Freixo, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse que o comando da Embratur não entrará na negociação. O Planalto vislumbra, no entanto, ceder gerências da empresa a indicados do partido. Sobre os Correios, a hipótese de troca na chefia também está afastada no momento.

Em meio às pressões externas, Lula convocou Daniela na terça para uma reunião de última hora. Ela foi informada de que o pedido do União Brasil por mudança é um entrave concreto à manutenção dela.

Na avaliação de integrantes do governo, a permanência dela no Turismo será momentânea. A preocupação do Planalto, agora, é não deixar a ministra desassistida ao sair. Daniela e o marido, Waguinho, prefeito de Belford Roxo, foram os principais cabos eleitorais de Lula na Baixada Fluminense no ano passado — por isso, ela é vista como uma integrante do primeiro escalão da “cota pessoal” do presidente.

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