Temer diz que Lula não está morto politicamente

Ele declarou que a imagem, o carisma e o discurso do petista ainda terão presença no cenário político ainda que não dispute nas eleições presidenciais

Presidente Michel TemerPresidente Michel Temer - Foto: Sérgio Lima / AFP

O presidente Michel Temer afirmou nesta segunda-feira (29) que, mesmo com a possibilidade de ser impedido de ser candidato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não está morto politicamente.

Em entrevista à Rádio Bandeirantes, ele declarou que a imagem, o carisma e o discurso do petista ainda terão presença no cenário político ainda que a Lei da Ficha Limpa acabe não permitindo que ele dispute a sucessão presidencial deste ano. "A figura dele é de muito carisma e não é sem razão que ele ocupa uma das primeiras posições nas pesquisas de opinião. A imagem, a palavra e a presença dele não estão mortas, pode ser eleitoralmente", disse.

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Para o presidente, o impedimento da candidatura do petista "tensiona" o país e sua eventual participação poderia servir como um elemento para pacificar a sociedade brasileira. "A sua não participação tensiona o país e temos de distensionar as relações. Eu, pessoalmente, acharia, sobre o foco politico, que se ele participasse e fosse derrotado, seria melhor ao país", disse.

Na semana passada, por unanimidade, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) manteve condenação do petista pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá (SP). A defesa do ex-presidente já informou que recorrerá da decisão.

Na entrevista, sem citar nomes, Temer disse que gostaria de apoiar um nome para a disputa eleitoral que defenda o seu legado no cargo. Ele voltou a afirmar, como fez à Folha de S.Paulo, que agora trabalhará pela recuperação moral de sua imagem pública. "Não vou admitir mais que se diga impunemente que o presidente fez falcatruas. Não vou permitir", disse.

Marido e mulher
Com os pedidos estaduais de reforços, o presidente afirmou que cresceu muito a ideia de se criar um Ministério da Segurança Pública, como revelou a Folha de S.Paulo na semana passada.

Ele ressaltou, contudo, que é um tema ainda em estudos, uma vez que ele receia que a criação de uma pasta faça com que o assunto, administrado pelas gestões estaduais, recaia sobre o governo federal. "A preocupação é de que se transforme em um assunto da União. Por exemplo, se o marido bateu na mulher, o responsável é o governo federal. Mas a pasta está em estudo", disse.

Ele afirmou ainda que não acredita que o endurecimento de penas possa reduzir os índices de criminalidade no país. Ele afirmou também acreditar que, neste semana, a presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Cármen Lúcia decida sobre a posse da deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) para o comando do Ministério do Trabalho.

Segundo ele, seria de "bom tom" se ela pudesse tomar posse. Para ele, deve-se romper a tendência no país de centralização. "Nenhum poder pode ir além de suas competências", defendeu.

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