Temer enfrenta perda e ameaça do PSDB

Após semana de polêmica, Geddel pediu demissão. Foi o sexto ministro a deixar governo e a provocar estragos

Câmara do RecifeCâmara do Recife - Foto: Divulgação

 

A saída do ministro Geddel Vieira Lima, ontem, foi um sinal claro da turbulência que vive o governo do presidente Michel Temer. Com pouco mais de seis meses - e com, praticamente, um ministro demitido por mês - o homem que assumiu o cargo para contornar a crise política vivenciada pela sua antecessora, Dilma Rousseff, dá provas de que ela está longe de acabar.

 E de que sua gestão se embrenhou em problemas que trazem muitas semelhanças aos vividos pela petista: a Operação Lava Jato continua sendo uma ameaça à sobrevivência de seus aliados - e a da sua administração - e a sombra do impeachment, mesmo que longíqua, também já se desenhou no horizonte.

Apesar de ainda contar com apoio no Congresso, o presidente terá que lidar com crescentes ameaças, que incluem a expectativa de poder por parte da cúpula do PSDB.
A demissão de Geddel foi uma perda dura para Temer - uma vez que integrava seu núcleo mais próximo - porém tardia, e inevitável.

Quando anunciou sua decisão, o fez por saber da gravidade da crise envolvendo seu nome, o do presidente Michel Temer e o do ministro Eliseu Padilha. Antes de deixar o cargo, ainda pela manhã, Geddel entregou uma carta a Te­mer.

No texto, registrou: "Avolumaram-se as críticas sobre mim. Em Salvador, vejo o sofrimento dos meus familiares. Quem me conhece sabe ser esse o limite da dor que suporto. É hora de sair", escreveu Geddel, que completou: "Diante da dimensão das interpretações dadas, peço desculpas aos que estão sendo por elas alcançados, mas o Brasil é maior do que tudo isso", ressaltou. Com sua demissão, Geddel perderá o foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal.

A Procuradoria-Geral da República já avalia pedir a abertura de um inquérito contra ele.
Após minimizar o caso, e hesitar em se desfazer do ex-ministro, Temer confessou a auxiliares que pretende, agora, agir com pragmatismo: começou a buscar um substituto que não tenha envolvimento em denúncias de irregularidades.
A saída de Geddel se deu um dia após vazar o depoimento dado pelo ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, em que ele afirmava ter sido pressionado por Temer para beneficiar interesses de Geddel num empreendimento imobiliário em Salvador.

 

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