Temer não quer que Previdência contamine calendário eleitoral

Buscando acelerar tramitação da proposta, presidente se reuniu com líderes de partidos aliados para pedir que reforma seja prioridade da Câmara

Décio Padilha, secretário da fazendaDécio Padilha, secretário da fazenda - Foto: Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco

Em meio às festas de fim de ano, o presidente Michel Temer (PMDB) se reuniu, nesta segunda-feira (26), primeiro dia útil pós-Natal, no Palácio do Planalto, com alguns líderes de partidos aliados para saber as demandas partidárias e pedir que a reforma da Previdência seja a prioridade da Câmara dos Deputados em 2017. O desejo do peemedebista é que a reforma seja aprovada ainda no primeiro semestre do próximo ano na Câmara para que, no segundo semestre, seja discutida e votada no Senado Federal. Com isso, as discussões da reforma não contaminariam o calendário eleitoral de 2018.

Na reunião desta segunda estiveram presentes os líderes do PMDB, deputado federal Baleia Rossi (SP), do PSD, deputado federal Rogério Rosso (DF), e o presidente da Câmara, deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ). Na pauta, questões econômicas e propostas pendentes na Casa. “Ele está muito animado com a perspectiva de melhora”, disse o líder do PMDB.

O mesmo foi dito pelo líder do PSD. Segundo Ros­­so, Temer nada comentou sobre a disputa pela presidência da Câmara dos Deputados. O peessedista, que é um dos pré-candidatos ao posto, afirmou que o presidente da República centrou a audiência nas medidas microeconômicas que o governo anunciou na semana passada, como a possibilidade de retirada do Fundo de Garantia do Tem­­­po de Serviço (FGTS) de con­­­tas inativas até dezembro de 2015.

Ainda segundo Rosso, o chefe do Executivo se disse confiante com a redução dos juros nas compras do cartão de crédito e comentou que, no ano que vem, o governo vai estudar e propor novas medidas microeconômicas que possam animar a economia.

A ideia de Temer é encerrar discussão e votação da reforma da Previdência até o final do próximo ano para que o debate não contamine o período eleitoral, visto que em 2018 haverá eleição presidencial e eleições para governador, deputados estaduais e federais e senadores. Neste caso, o presidente encontraria um problema. Isso porque os parlamentares, em ano de eleições, costumam se dedicar mais às disputas em seus Estados, deixando o Congresso Nacional em segundo plano.

Apesar da pressa para a tramitação da proposta na Câmara, o presidente pode ter outros empecilhos. Na última quinta-feira (22), a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, pediu explicações ao presidente e aos comandantes da Câmara e do Senado, respectivamente Rodrigo Maia e Renan Calheiros (PMDB-AL) sobre a tramitação da reforma da Previdência, considerada pelo Planalto um dos pilares do ajuste fiscal do governo. A ministra aguarda a reposta.

Entre os pontos mais políticos da proposta de reforma da Previdência está a fixação da idade mínima de 65 anos para requerer aposentadoria e eleva o tempo mínimo de contribuição de 15 para 25 anos. Além disso, o trabalhador que desejar se aposentar recebendo a aposentadoria integral deverá contribuir por 49 anos. Militares ficaram de fora da reforma.

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