Temer promete afastar ministros denunciados na 'Lava Jato'

O próprio Temer foi mencionado em uma delação da Odebrecht vazada para a imprensa, onde aparece solicitando dinheiro para o PMDB

Presidente Michel TemerPresidente Michel Temer - Foto: Andressa Anholete/AFP

O presidente Michel Temer afirmou nesta segunda-feira (13) que demitirá qualquer ministro que seja denunciado na operação 'Lava Jato' e negou que o governo busque oferecer proteção aos suspeitos de envolvimento no esquema de corrupção.

"O ministro que estiver denunciado será afastado provisoriamente", disse Temer em declaração em Brasília, acrescentando que, se a acusação for aceita pelo Supremo Tribunal Federal (STF), dando início a um julgamento, o funcionário perderá seu cargo definitivamente.

"O governo federal não quer blindar ninguém e não vai blindar. Apenas não pode aceitar que a simples menção inauguradora de um inquérito, para depois inaugurar uma denúncia, depois inaugurar um processo, já seja de molde a incriminá-lo em definitivo e em consequência afastar o eventual ministro", disse Temer.

A possibilidade de que o STF revele uma confissão maciça de executivos da Odebrecht aumentou as especulações sobre uma conspiração para proteger os políticos investigados no caso.

O próprio Temer foi mencionado em uma delação da Odebrecht vazada para a imprensa, onde aparece solicitando dinheiro para o PMDB.

Alguns dos seus colaboradores mais próximos também aparecem no relato, negociando medidas de Estado para beneficiar a corporação.

A procuradoria estima que a delação da Odebrecht duplicará o número de investigados no escândalo do desvio de mais de dois bilhões de dólares da Petrobras durante mais de uma década, que tem ramificações em 12 países.

Duas das últimas decisões de Temer também alimentaram as versões de uma estratégia de proteção: a indicação do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, para o STF, e a nomeação do secretário-executivo do Programa de Parceria de Investimentos, Wellington Moreira Franco, mencionado nas delações da Odebrecht, como ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, cargo que lhe garante foro privilegiado.

Desde que assumiu a Presidência, em maio passado, Michel Temer perdeu seis ministros e um assessor, envolvidos direta ou indiretamente pela Lava Jato.

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