Temer promete enviar reforma da Previdência ainda este ano

Presidente da República deu entrevista no programa Roda Viva, da TV Cultura

Governadores do Nordeste e de Minas Gerais reunidos em Fórum no Palácio do Campo das PrinceasGovernadores do Nordeste e de Minas Gerais reunidos em Fórum no Palácio do Campo das Princeas - Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco

O presidente Michel Temer disse que a reforma da Previdência já está "formatada" e será enviada ao Congresso ainda neste ano.

Em entrevista no programa "Roda Viva", da TV Cultura, ele afirmou que as discussões começarão após a aprovação da PEC do teto dos gastos públicos, que está em tramitação no Senado.

Temer disse no programa, exibido nesta segunda-feira (14), que a ideia é fazer uma reforma "para perdurar para sempre", que não precise ser reavaliada periodicamente.

O presidente, porém, afirmou que, antes, vai ouvir centrais sindicais e fazer um "esclarecimento público por meio da televisão". "É difícil apoiar, mas pelo menos você vai asfaltando o terreno."

Ele disse ver como vantagens de seu governo o "apoio sólido" no Congresso e a rapidez com que tem conseguido aprovar matérias no Legislativo.

Afirmou ainda que admite os movimentos estudantis que protestam contra as medidas, mas "lamenta" por eles. "No meu tempo de estudante, você examinava, discutia, chamava pessoas para dialogar e às vezes protestava fisicamente. Vejo que há muito protesto físico, não argumentativo, intelectual."

Lava Jato


O peemedebista foi questionado ainda sobre menções a seu nome em depoimentos da Operação Lava Jato e negou ter cometido qualquer irregularidade.

Disse que recebeu o empreiteiro Marcelo Odebrecht no Palácio do Jaburu porque o empresário queria contribuir com campanhas do PMDB e que as doações, que somaram R$ 10 milhões, foram feitas ao diretório nacional do partido e declaradas à Justiça Eleitoral.

Sobre a ação relacionada à cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer no Tribunal Superior Eleitoral, disse que as contas de um candidato e de seu vice são separadas. "Evidentemente, vocês conhecem a obediência que eu tenho às instituições, se um dia o TSE lá pra frente disser, 'olha, o Temer tem que sair...'".

Também afirmou que investigações e delações não devem decretar a "morte civil" de uma pessoa pública. Ao falar do caso do senador Romero Jucá (PMDB-RR), que deixou o Ministério do Planejamento e agora se tornou líder de governo, afirmou que ele está com "direitos políticos preservados" e tem uma capacidade "extraordinária".

Temer afirmou que uma eventual prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Lava Jato seria ruim para o governo porque traria "instabilidade" para o país.

O presidente também desconversou ao ser questionado se será candidato em 2018 e afirmou que já descartou a hipótese "várias vezes".

Ele disse apoiar a instituição do parlamentarismo no Brasil e que o Congresso pode fazer uma reforma nessa direção que seria submetida a consulta popular.

No fim do programa, Temer contou que conheceu a primeira-dama, Marcela, na campanha de 2002. "Fui a um restaurante do tio dela, meu cabo eleitoral. Ela estava lá. Fiquei entusiasmado. Quando fui eleito, ela mandou cumprimentos a mim."

O programa havia sido gravado na última sexta (11) no Palácio da Alvorada.
Participaram da entrevista Sérgio Dávila, editor-executivo da Folha de S.Paulo, Willian Corrêa, coordenador geral de jornalismo da Cultura e âncora do Jornal da Cultura, João Caminoto, diretor de jornalismo do Grupo Estado, Eliane Cantanhêde, colunista do jornal "O Estado de S. Paulo" e comentarista da GloboNews, e Ricardo Noblat, colunista político do jornal "O Globo" e titular do Blog do Noblat, além do apresentador Augusto Nunes.

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