Teve paz e apoio a veto. Para gestores, faltou data de sanção

Gestores esperavam presidente mais taxativo sobre data de sanção

Videoconferência com Governadores dos EstadosVideoconferência com Governadores dos Estados - Foto: Marcos Corrêa/PR

A reunião dos governadores com o presidente Jair Bolsonaro, ontem, saiu conforme planejado pelos gestores no dia anterior: em clima de harmonia, sem polêmicas e com promessa de sanção do PLP 39/2020. Menos evidente, mas também já parte da bolsa de apostas dos gestores desde a véspera, o chefe do Planalto fez o que já era esperado: pediu apoio para vetar o reajuste dos servidores públicos. Os gestores já desconfiavam que seriam chamados a dividir esta fatura, mesmo cientes de que a flexibilização do congelamento de salários, fora patrocinada, na Câmara Federal, pelo líder do governo, Major Vitor Hugo, naturalmente com aval do presidente. O movimento, no entanto, foi condenado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, de quem partiu a recomendação de vetar o dispositivo. Bolsonaro pediu apoio aos gestores para atender o pedido de Guedes, de forma a não correr o risco de ver o veto ser derrubado no Congresso Nacional. Governadores acenaram positivamente ao chefe do Planalto como um passo para consolidar o ponto central do debate: a sanção do projeto de socorro aos estados e municípios, que, aprovado no Senado no último dia 6, dorme na mesa do presidente desde o último 7.

Anotado o gesto dos governadores, Bolsonaro comprometeu-se a sancionar "o mais rápido possível". O presidente encerrou a reunião após cerca de uma hora. Para alguns governadores, ficou faltando "um desfecho". Em conversas reservadas, gestores mantiveram-se atentos ao seguinte: o presidente não cravou um dia para sancionar. Os governadores tinham expectativa de que ele fosse mais taxativo. E anotaram ainda que o presidente entrou e saiu sem passar mensagem mais sólida aos governadores. Em coletiva na tarde de ontem, Rodrigo Maia foi questionado sobre o prazo para sanção e para os recursos, destinados ao enfrentamento da pandemia, chegaram aos Estados. Disse que, até o final do mês, isso se concretiza e afirmou "não ver problema do ponto de vista da transferência de recursos". Após vários solavancos na relação entre os poderes, as presenças de Maia e Davi Alcolumbre no encontro de ontem sinalizaram para intenção de pacificação. Governadores torcem para que isso perdure.

 

De Doria para Bolsonaro
"Vamos em paz, presidente! Vamos pelo Brasil e vamos juntos! É o melhor caminho de vencermos a pandemia". O trecho fez parte da fala que o governador João Doria dirigiu ao presidente Jair Bolsonaro na reunião com os governadores. O presidente agradeceu as palavras e parabenizou o governador de São Paulo. Nos bastidores, sobre essa versão "paz e amor", parlamentares sapecavam: "Não dura 24 horas!".
Fora do script > Pelo que foi acordado na reunião da quarta-feira, falariam, ontem, em nome dos governadores: Reinaldo Azambuja (MS) e Renato Casagrande (ES). A fala de Doria, ainda que breve, foi surpresa para muitos. "Não sei como Doria entrou nessa história", exclamou uma fonte que acompanhou os preparativos.
Impeachment... > O pedido de impeachment protocolado, ontem, pelo PT, PCdoB e mais cinco partidos, foi lido, por uma ala da Oposição como um movimento de "correr atrás do prejuízo". Isso porque o PSB e o PDT já haviam dado entrada em pedidos de afastamento do presidente, enquanto o PT, na leitura de observadores, vinha adotando a estratégia de deixar o governo Bolsonaro "sangrar", apostando em polarização em 2022.
...2º round... > A pressão teria aumentado sobre os petistas. Há, agora, na Oposição, quem aponte tentativa do PT de monopolizar o tema, como sendo eles os únicos porta-vozes da Oposição. 

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