Tom Zé compõe 'Queremos as Delações' para cobrar homologação

Ele vê seu hino anticorrupção como suprapartidário

Tom ZéTom Zé - Foto: Divulgação/André Conti

Michel Temer falou uma coisa, e Tom Zé entendeu outra. "Quando o presidente declarou três dias de luto, engraçado, ouvi três dias de festa."

Refere-se ao luto que se seguiu à morte do relator da Lava Jato, Teori Zavascki, num acidente de avião há dez dias.

Para o músico, ficou claro que muitos políticos implicados na operação da Polícia Federal choraram publicamente e em particular respiraram aliviados com a saída de cena do ministro do Supremo Tribunal Federal.

Ele acordou às 3h30 da madrugada de sexta-feira (27) com isso na cabeça. "Estava pensando: 'Nossa senhora, esse negócio das delações tá tão no coração de todo mundo, era ótimo fazer uma música."

Dito e feito. Acordou, foi para a ginástica na piscina às 6h e de lá seguiu para a casa do amigo e produtor Paulo Lepetit. Juntos compuseram "Queremos as Delações", liberada no mesmo dia na internet.

A faixa cobra agilidade para homologar os depoimentos de 77 executivos da Odebrecht, que podem respingar em políticos de todas as matizes, como Temer (PMDB), Lula (PT) e Aécio Neves (PSDB). Há temor de que a morte de Teori atrase o processo.

A explicação que acompanha a novidade vai direto ao ponto: "Pessoal, esta canção fiz com Paulo Lepetit pra gente torcer pela publicação das delações, que há quem esteja interessado em esconder".

"Estamos pagando por elas vintém a vintém. Sofremos com elas do Rio de Janeiro a Belém", diz um dos trechos. O "grand finale": "Logo, logo esse baralho/ Homologa esse cascalho".

"Queremos as Delações" não é o único pitaco de Tom Zé na recente crise política brasileira. Em julho de 2016, ele disse ao diário português "Diário de Notícias" que "o Brasil está entupido de Hitlers". E emendou: "São os que estão no poder". Na época, Temer era presidente interino do país, após o afastamento temporário de Dilma Rousseff.

Tom Zé diz acreditar que Lula tem culpa no cartório, mas também simpatiza com familiares que "acham que a Lava Jato está carregando muito em cima de uma só coisa" -no caso, petistas.

Mas ele vê seu hino anticorrupção como suprapartidário.

"Eu fiz porque esse negócio de querer as delações me parecia uma frente ampla nacional, sejam petralhas ou coxinhas. É uma angústia e um horror nacional a essa bandidagem política."

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