Trade faz objeção à CPI, que deve ter apoio da OAB

"Você achar que o caminho é a impunidade não pode ser"

João CamposJoão Campos - Foto: Brenda Alcântara - Arquivo Folha

 

O trade turístico faz objeção à Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o vazamento de óleo que atinge as praias do Nordeste. O deputado federal João Campos, autor do pedido de criação da CPI, está ciente dos contrapontos apresentados pelos representantes locais. "Conversei com algumas pessoas do trade. Elas têm preocupação que isso gere uma agenda negativa. Mas o País inteiro sabe disso. O que a gente tem que mostrar, agora, é que a gente está pronto para responder", argumenta João à coluna. Nos bastidores, alertas do setor turístico têm sido direcionados a parlamentares e, em função disso, há quem aposte que a CPI pode não vingar. João, no entanto, já se prepara para novos desdobramentos.

Hoje, dia da reunião do colégio de líderes, o socialista deve ter o primeiro encontro com o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, que retornou do exterior no último sábado. Dele depende a instalação da CPI já criada. Na esteira, João aguarda apoios robustos de entidades da sociedade civil. A OAB nacional é uma delas. Na análise do parlamentar, "cabe ao Nordeste responder a altura" e "uma ação dessa vai fortalecer e mostrar a responsabilidade com que parlamentares pernambucanos trataram do assunto". João adverte: "Você achar que o caminho é a impunidade não pode ser. A CPI não é espaço para servir de pirotecnia", reage o socialista e arremata: "Uma coisa está clara: ‘o estado brasileiro não está pronto para um desastre desse tamanho’".

 

Passando a limpo
Presidente da Comissão de Meio Ambiente da Alepe, Wanderson Florêncio, embora exerça oposição ao Governo do Estado, é favorável à CPI do Vazamento de Óleo, proposta por João Campos. "Sou a favor", grifa o parlamentar. "A população tem o direito de saber a verdade. A gente não pode colocar panos em cima do problema", defende.
Credibilidade > Wanderson admite que é preciso ponderar ao bater na tecla do desastre ambiental numa área de potencial turístico forte, mas argumenta que discutir o problema gera credibilidade. "Se a CPI se propuser a, num tempo curto, fazer diagnóstico do problema, acho que você ganha credibilidade", pontua.
Audiência > Na Alepe, amanhã, Wanderson comanda audiência pública sobre o derramamento de óleo. Convidou representantes do Governo do Estado, do Governo Federal, de movimentos sociais e ambientais e do MP para tratarem da questão.
Mute > Wanderson externa indignação com os governos estadual e federal por uma razão: "No dia 4 de setembro, fizemos ofício para CPRH para que ela dissesse o que tinha acontecido e quais seriam as atitudes que tomaria para evitar que acontecessem mais vazamentos e nossa resposta foi, até hoje, o silêncio".
Calendário > A primeira mancha de óleo chegou ao Estado no dia 2 de setembro. No dia 4, a comissão de Meio Ambiente se reuniu e decidiu oficiar a CPRH.
Café com... > Como a coluna antecipou, no último sábado, o governador Paulo Câmara conseguiu reunir o valor pretendido em emendas de bancada, a despeito da resistência externada por parlamentares: R$ 62 milhões. Resultado: ontem ofereceu café da manhã a deputados para agradecer.
...emendas > Estiveram presentes: Danilo Cabral, Felipe Carreras, Augusto Coutinho, Fernando Monteiro, Tadeu Alencar, Wolney Queiroz e Carlos Veras. O valor foi alcançado porque deputados da base colocaram valores maiores para compensar a decisão de outras parlamentares de não direcionarem essas emendas ao Governo do Estado.

 

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