TSE conclui depoimento de testemunhas em SP em ação da chapa Dilma-Temer

Para o advogado de Temer, Gustavo Bonini Guedes, os depoimentos não trouxeram novidade

Michel Temer e Dilma RousseffMichel Temer e Dilma Rousseff - Foto: Evaristo Sá/AFP

Cinco testemunhas de empresas que prestaram serviços para a campanha da chapa formada por Dilma Rousseff e Michel Temer, em 2014, foram ouvidas nesta quarta-feira (8) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em São Paulo. As empresas são investigadas por possíveis irregularidades na prestação de serviços gráficos. Após sete horas de depoimentos, o advogado de Dilma, Flávio Caetano, é que ainda é preciso ouvir novas testemunhas. Já a defesa de Temer reitera que a situação deveria ser tratada em outro procedimento.

Para o advogado de Temer, Gustavo Bonini Guedes, os depoimentos não trouxeram novidade. “Na minha avaliação, [os depoimentos] reforçaram que houve a prestação de serviços. Mas, se as notas fiscais correspondiam àquilo que foi fornecido e quem eram os proprietários das empresas, isso deve ser tratado em outro procedimento. Isso pode revelar crimes eleitorais ou comuns e, eventualmente, crimes tributários”, disse Guedes. Mais cedo, ele havia declarado que seu cliente e o PMDB não tiveram responsabilidade na contratação das gráficas.

As testemunhas foram convocadas pelo ministro Herman Benjamin, relator da ação no TSE. Os depoimentos foram prestados na sede do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) e transmitidos por videoconferência para o ministro em Brasília.

Segundo advogado do PSDB, José Eduardo Alckmin, autor da ação que apura irregularidades na campanha da chapa Dilma-Temer, ainda há fatos a serem esclarecidos. "Principalmente o valor muito grande de recursos que foram pagos a essas empresas e que verdadeiros destinos tiveram – isso vai se apurar na instrução”. Para Alckmin, o passo seguinte será ouvir os verdadeiros administradores das gráficas. “O que nos interessa saber é se esses valores correspondem aos valores de mercado, e se esse dinheiro foi lucro ou foi algo que foi aproveitado de alguma maneira pela campanha.”

Já o advogado de Dilma, Flávio Caetano, disse que os depoimentos confirmaram a prestação de serviços, mas ressaltou que ainda é preciso ouvir aqueles que realmente trabalharam na campanha. “Hoje, mais uma vez, se confirmou que todos os serviços foram prestados à chapa Dilma-Temer e que há a necessidade de continuar com oitivas, agora daqueles que foram responsáveis diretamente pelos serviços", disse. Segundo Caetano, sete pessoas ligadas às empresas investigadas precisam ser ouvidas.

A solicitação para que essas pessoas prestem depoimentos foi feita pela defesa de Dilma e também pelo advogado do PSDB. Flávio Caetano ressaltou que a defesa encontrou falhas na perícia inicial feita pela Polícia Federal e, por meio de manifestação, pediu que seja refeito o relatório. “Há falhas. Não se pode comparar valores totais [arrecadados] de uma empresa com valores da campanha. Por exemplo, o relatório da PF fala em movimentação de R$10 milhões na empresa Red Seg, mas a campanha pagou R$ 6 milhões. É uma falha grave e, por óbvio, leva a uma distorção de qualquer resultado que esse trabalho tenha. Por isso, pedimos que seja refeito.”

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