Tucanos entenderam que com Alckmin o PSB não vai mais

No PSB, não se dá um pio porque socialistas defendem que não se contamine a recondução de Siqueira com o tema. O Congresso é em março

AlckminAlckmin - Foto: Divulgação

Internamente, no PSB, o assunto já estava pacificado, ainda que socialistas não tenham dado um pio. Integrantes do PSDB, no entanto, cuidaram de apurar, também em silêncio. Em Brasília, tucanos paulistas tomaram nota de que haviam sido zeradas as chances de os socialistas apoiarem Geraldo Alckmin na corrida pelo Planalto. "A foto de ontem (anteontem) coloca ponto final em qualquer expectativa que ainda pudesse existir", assinala, à coluna, um tucano, em reserva. Refere-se ao registro que o vice-presidente nacional do PSB, Paulo Câmara, publicou, em suas redes sociais, apertando a mão do ex-presidente Lula, em encontro na última quinta-feira. Nas coxias, socialistas confirmam: "Não há chance alguma mais de apoiar o PSDB. Perdeu o timing". A movimentação que o PSB faz na direção do campo de centro-esquerda, cuja frente ampla será lançada na semana que vem, é outro tópico que vem sendo citado nos bastidores do PSB como fator que elimina possibilidade de aliança. Um elo chegou a levar Paulo Câmara e Carlos Siqueira, presidente nacional do PSB, a terem reuniões com o governador de São Paulo: o projeto de candidatura de Márcio França ao governo daquele Estado.

A interlocutores, Paulo chegou a dizer que Alckmin era o único nome do PSDB com o qual o PSB teria condições de firmar aliança. A candidatura de Márcio está de pé. Mas o tucanato, que já não conta mais com possibilidade de apoio do PSB a Alckmin, segue operando o ingresso dele nas hostes tucanas. No PSB, não se dá um pio sobre definição de candidatura presidencial, porque, em março, haverá o Congresso do PSB e a ordem, entre socialistas, é não misturar o assunto, agora, para não contaminar a recondução de Carlos Siqueira. Entre petistas, isso também já é comentado. "Só depois do Congresso do PSB, eles dirão alguma coisa", pontua um petista, que não quer se identificar. Nos bastidores, é prego batido e ponta virada: com Alckmin, o PSB não vai mais.

Seria meio caminho andado
Caso Márcio França ingresse no PSDB com garantia de que será candidato a governador, fica a poucos passos de vencer a eleição. O cálculo, no tucanato, é de que a "dobradinha paulista tucana" em São Paulo é "muito forte". Leia-se: votar no 45 para governador e no 45 para presidente.

Sem garantia >
A pedra no sapato é que, segundo tucanos, Alckmin não tem como dar essa garantia de que Márcio será o candidato. Mas, lembra-se que, em São Paulo, tem efeito a lógica de que o presidenciável arrasta. Cita-se o caso de Aloysio Nunes, cuja eleição gerou dúvidas, mas ele terminou como mais votado da história do País.

Separando as coisas > Indagado sobre a pauta do Congresso do PSB, o deputado federal Danilo Cabral garante que "não vai ter definição de candidatura presidencial".

Saída de emergência > Entre alidos de Michel Temer, desde o começo do ano, estava claro: "Não ia ter voto para aprovar a Reforma da Previdência". Em outras palavras, um outro governista assinala: "Arrumou-se a desculpa". Leia-se: a intervenção federal no Rio de Janeiro, que impede a votação da referida reforma, funcionará como saída honrosa para o presidente, que havia se comprometido com o mercado.

Para inglês ver > Um dos aliados do presidente define como um "enrolation" as projeções de votação que vinham sendo operadas e, caso consolidadas, desaguariam em derrota no plenário. E a derrota é orfã, ninguém quer vestir a carapuça.

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