Turbulência: acordo vai ter que esperar novo relator

Apesar do arquivamento da turbulência pelo TRF5, Teori investigava mesmo grupo

SDS realizou coletiva de imprensa para detalhar o casoSDS realizou coletiva de imprensa para detalhar o caso - Foto: Clemilson Campos/Folha de Pernambuco

 

Apesar de a Operação Turbulência ter sido arquivada no Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), outra investigação, em paralelo, com os mesmos implicados, seguia no Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Lava Jato, sob relatoria do ex-ministro Teori Zavascki, morto na última quinta (19). Esta teria sido a motivação dos empresários João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho, Eduardo Freire Bezerra Leite e Apolo Santana Vieira fecharem acordo de delação premiada. Contudo, acordo ain­da precisa ser homologado, o que deve ocorrer quando o novo relator for escolhido.

A delegada da PF, Cynthia Fonseca do Nascimento, havia encaminhado, em dezembro, a Zavascki um cruzamento de dados com a finalidade de identificação de redes de relacionamento entre pessoas investigadas a partir de informações do Departamento de Trânsito de Pernambuco, com placas de veículos dos investigados, locais e horários. Nos autos, observa-se também dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A investigação seguiu na STF, sob o inquérito 4005, porque um dos citados é o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB), que possui foro privilegiado. Este processo versa sobre corrupção passiva e “lavagem de dinheiro” e tem origem na delação do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e do doleiro Alberto Youssef. Em outros momentos, o senador já havia negado a participação em qualquer esquema de corrupção. “Sobre esta investigação (4005), passado mais de um ano (em março completa dois anos) do referido inquérito, ele segue sem prova alguma sobre a suposta participação do senador em qualquer atividade ilícita, estando tal investigação calcada em informações conflitantes fornecidas por delatores e sem qualquer documento comprobatório”, disse FBC, em nota.

A Turbulência contou com informações compartilhadas pela Lava Jato e só investigou pessoas sem foro privilegiado. O processo havia sido arquivado no TRF5 no início de novembro. A reportagem tentou contato com o advogado Ademar Rigueira Neto e com o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, sem sucesso.

 

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